Ascensão ou queda? Qual será o futuro da “Terra Prometida”?

Canaã dos Carajás tem 23 anos de emancipação político - administrativa. Canaã dos Carajás tem 23 anos de emancipação político - administrativa.

Quando o assunto é melhorar de vida, qualquer pessoa deixa o lugar onde está e o que faz para tentar crescer em outro lugar. Diariamente, Canaã recebe empresários com olhar visionário para um futuro promissor no município e ainda assim existem mercados pioneiros da cidade fechando as portas com a justificativa que Canaã parou de se desenvolver. Porém, a realidade nos bastidores, é outra.

Pensando nos questionamentos e preocupação dos leitores leitores a equipe do Jornal In Foco traz uma série de reportagens sobre a ascensão de Canaã. O objetivo é ajudar os moradores e empresários perceberem o crescimento econômico do município.

Há 24 anos atrás Canaã dos Carajás era criada após aprovação da Lei 5.860 pelo governador Carlos José de Oliveira Santos. Antigamente o município era conhecido como CEDERE II, centro criado pelo Governo Federal com pelo menos três objetivos claros, sendo esses: 1°- Como parte da estratégia de ocupação do território amazônico; 2°- minimizar a pressão por terras na região sul e sudeste do País; e de modo muito particular; 3°- como medida atenuante aos graves conflitos pela posse da terra em território paraense.

Os primeiros gestores do município tiveram suas posses em 1° de janeiro de 1997. O nome do Canaã dos Carajás significa “Terra Prometida” e a escolha do nome pode ter sido influência dos números significativos de evangélicos no cenário político do município naquela época ou pela história dos solos férteis, derivando as produtividades de determinados cultivos agrícolas que foram determinados acima da média estadual e até mesmo nacional.

A economia do município girava em torno da produção de arroz, milho, banana, feijão, e da criação bovina, sendo que a última atingiu o auge em 2004. A atividade madeireira também se fazia expressiva na região, onde ainda se podia encontrar espécies nobres. O maior controle legal da atividade madeireira e a redução drástica das espécies de maior valor comercial levou o setor a retração, a partir de 2002 e com o maior rigor após o ano de 2004, quando a extração de madeira em tora passou de 9.000 m³ para 5.000 m³, em 2005. Daí em diante a economia decresceu, chegando em 2014 com 1.200 m³ de madeira de tora extraída de acordo com a pesquisa feita pelo IBGE/DPE-FADESPA/SEPLAN.

Em 2003 o setor secundário da economia de 2002 que até então não se mostrava significativo, começou a concentrar maior parte do PIB municipal, atingindo seu ápice no ano civil de 2013, ocasião em que o valor adicionado bruto do setor teve em média R$ 2.849.402 mil.  Em 2009 Canaã sofreu uma queda brusca chegando a R$ 532.914 mil.

Durante este período de tempo, Canaã além da crise financeira, sofria também com o crescimento desordenado no município chegando a abrigar de 10 mil habitantes para 33 mil dentre os anos 2000 a 2015, uma taxa com quase em média seus 208% de crescimento segundo o IBGE, porém, a pesquisa feita pela própria prefeitura apontava que Canaã tinha números maiores, resultando então em 2014 com 52 mil habitantes, uma diferença de 57% em relação à pesquisa feita no início. Atualmente o mesmo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que Canaã tem em média apenas 36 mil habitantes contradizendo os levantamentos feitos pela gestão municipal.

Dados levantados pelo IBGE

Mesmo com esse crescimento desordenado o município é considerado uma das cidades mais prósperas da região, deixando assim de ser uma cidade pacata habitada por colonos vindos de outras regiões para construir a vida por meio da agropecuária. Hoje devido a implantação dos projetos das industrias de extração mineral e a queda do mercado agrícola, a economia de Canaã se tornou totalmente dependente do minério.

Há quase dois anos atrás a câmara de vereadores de Canaã dos Carajás aprovava um projeto de lei para a construção do Distrito Industrial. O espaço da construção é uma doação da Vale para contribuir com o desenvolvimento da cidade. Antigamente a área era utilizada para realizar a estocagem de estruturas e montagens de 109 módulos que compõem a usina de processamento da mina S11D e fica localizada as margens da rodovia PA-160.

O Distrito Industrial é prioridade do governo para o crescimento  econômico do município.

Pela localidade do Distrito logo as margens da rodovia, muito em breve Canaã dos Carajás poderá se apresentar e se consolidar como rota alternativa para interligar essas regiões e cidades importantes dentro e fora do território paraense, criando uma infraestrutura logística que servirá de base para multiplicar as riquezas no setor terciário da economia.

Atualmente Canaã tem passado por um período conturbado, o que tem assustado e desanimado muitos moradores do local. A realidade de ver muitos comércios pioneiros fechando as portas no município, faz com a população se questione se de fato Canaã terá um futuro melhor
O distrito é uma prioridade do governo e economicamente mudará o cenário do município. Mas se estamos diante de tantas promessas caminhando para serem cumpridas em breve, por que os grandes empresários estão de partida para investir em outras cidades? Procuramos algum deles para justificar o motivo e conversamos com Davi Perez, pioneiro em Canaã dos Carajás. Davi chegou em meados dos anos 2000 e veio em busca de uma vida sustentável.

Há mais ou menos um mês o empresário anunciou que fecharia as portas do seu empreendimento. A justificava dada por ele foi “Eu não estou passando por dificuldades em Canaã, como também nunca passei. Mas lamento muito o que está acontecendo, prefiro não entrar em detalhes políticos e nem religiosos, já era previsto essa queda financeira. Mas eu quero qualidade de vida e Canaã não está mais me oferecendo isso, o que me deixa triste e motivado a procurar outros caminhos. Economicamente falando, Canaã tem como se sustentar e muito, aqui não falta nada. O que falta é simplesmente organização. É o único município que tem quatro minas, eu não estou falando de valores e sim do que fazemos sobre isso.  Canaã sempre teve o sustento muito alto, economicamente, o mercado sempre foi caro, não existe a falta de dinheiro, existe a falta de vontade. A vontade de fazer com que todos participem dessa economia e usufruam de tudo o que está terra dá para seus cidadãos. Vou embora porque continuo buscando um estilo de vida e continuo buscando o lugar que me forneça mais um pouco de paz. ” Finalizou.

Davi Perez em sua fala, ressalta a falta de vontade dos empresários e planejamento da parte governamental do município.  Na segunda matéria da série Economia In Foco nós iremos abordar a justificativa do governo em relação à economia e crescimento do município, como também mostraremos a visão de um morador pioneiro sobre o comércio.

(Jornal In Foco - Reportagem: Stephanny Sousa)

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