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Quando o pessimismo é só expressão da covardia. Ou: comparei um Boletim Focus de janeiro com o de agora…

Já tratei aqui do mau humor de setores da imprensa com o governo de Michel Temer. Trata-se de um misto de ideologia, vício e ignorância. A depender do vivente, um desses componentes se sobressai mais. E há, sim, os que dominam instrumental técnico para reconhecer os avanços que estão em curso, mas são pessimistas por covardia. Eis aí. O pessimismo costuma ser uma atitude prudencial, parente do realismo. Não são poucas, com efeito, as pessoas que desprezam, vamos dizer, os fatores de atrito e de risco. É sempre bom ouvir, então, a voz da prudência. Mas o pessimismo por covardia é outra coisa: a pessoa se nega a reconhecer evidências que estão à sua frente porque isso as obrigaria a enfrentar a maré influente de opiniões ou, pior ainda, os juízos coletivos — e, bem, seria desnecessário dizer que um jornalista deveria fugir do alarido como o diabo foge da cruz.

Por capricho, fui reler o Boletim Focus da última semana de janeiro deste ano. Para lembrar: trata-se do relatório semanal divulgado pelo Banco Central com as expectativas sobre indicadores econômicos. Participam da consulta 120 entes de mercado (bancos, corretoras, gestores de recursos) etc. Confrontei, então, aqueles dados com os divulgados pelo Focus nesta segunda.

Os agentes econômicos esperavam que a taxa de juros encerrasse o ano em 9,5%. Nota: o ano começou com essa expectativa em 10,25%. A taxa está em 7%. Apostava-se, no fim de janeiro, que a economia cresceria neste ano apenas 0,5%. No boletim divulgado nesta segunda, a expectativa de expansão do PIB subiu de 0,89% para 0,91%. No caso, da inflação, contava-se que o ano terminasse com a taxa a 4,7%. Na mais recente previsão, fala-se em 2,88%, abaixo do próprio piso da meta, que é de 3% — e o Ministério da Fazenda passou a ser patrulhado por isso, o que, se querem saber, dado o conjunto dos números e de práticas do governo, não faz o menor sentido. Para 2018, projetava-se um crescimento de 2,2%; agora, 2,62%. Nesta segunda, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas, também revisou suas projeções sobre o PIB: está ainda mais otimista do que o Focus: acha que a expansão chegará a 1% neste ano e a 2,8% no ano que vem.

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, está sendo patrulhado, especialmente pelas vozes à esquerda, porque a inflação deve ficar, sim, abaixo do piso da meta. A dita-cuja é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O que isso estaria a indicar, segundo o mau humor influente? O governo teria exagerado na política recessiva e administrado um remédio amargo demais. A inflação abaixo do piso estaria a indicar que o Ministério da Fazenda foi excessivamente restritivo e teria desestimulado os agentes econômicos.

O raciocínio tem coerência interna, mas vai contra os fatos. A realidade aponta no sentido oposto. Para que a crítica procedesse, forçoso seria que, com a inflação abaixo do piso da meta, também o crescimento estivesse abaixo das expectativas. Mas não! Percentualmente, caminha-se para o dobro do que se previa: de 0,5% para 1%.

Mais: sabe-se que a taxa de juros ainda é o remédio mais eficaz para esfriar processos inflacionários quando ligados à demanda. Ora, a taxa é de 7%, bem abaixo do 9,5% esperados. Restaria, então, acusar um governo que teria conduzido o Brasil à paralisia em razão de um brutal corte de gastos. Bem, isso é apenas mentira grotesca no país que elevou o rombo fiscal para R$ 159 bilhões. O teto de gastos pôs um freio na loucura. O corte draconiano é uma fantasia que alimenta os palanques de esquerda. De resto, o crescimento da economia está muito acima da expectativa, não abaixo, com a balança comercial batendo recorde: US$ 63 bilhões de superávit no acumulado do ano.

Eis o que chamo de pessimismo como uma expressão da covardia. Os números estão na cara e nos fatos.

 

Fonte: redetv.uol

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