A Vale divulgou hoje (9) seu resultado financeiro do primeiro trimestre de 2019. Ele traz a público os primeiros dados após a tragédia de Brumadinho (MG), ocorrido em 25 de janeiro, quando o rompimento de uma de suas barragens provocou mais de 200 mortes . O balanço revela um prejuízo de R$ 6,4 bilhões.

De acordo com a mineradora, os impactos financeiros da ruptura da barragem de Brumadinho levaram, pela primeira vez em sua história, a um resultado negativo do Ebitda, que é o lucro operacional excluindo-se os juros, impostos, depreciação e amortização. No primeiro trimestre de 2019, o Ebitda ficou em R$ 2,8 bilhões negativos.

O impacto financeiro da ruptura para o cálculo final do Ebitda foi de R$ 19 bilhões. Esse montante envolve seis categorias de provisões e despesas listadas pela Vale. São R$ 9,3 bilhões destinados a programas e acordos de compensação, R$ 7,1 bilhões para o descomissionamento e descaracterização de barragens em Minas Gerais para evitar novos rompimentos, R$ 0,39 milhões gastos diretamente em Brumadinho, R$ 1,1 bilhão relacionados com os volumes pedidos, R$ 605 milhões com os custos da suspensão da operação em diversas minas após revisão dos indicadores de segurança e R$ 469 milhões com outros gastos.

Em 2018, a Vale teve lucro líquido de R$ 25,65 bilhões. Não houve resultado negativo em nenhum dos quatro trimestres. Do total, R$ 5,1 bilhões foram obtidos nos primeiros três meses do ano. O melhor desempenho de 2018 ocorreu no quarto trimestre com R$ 14,48 bilhões e o pior no segundo trimestre com R$ 0,3 bilhão.

Queda nas vendas

De acordo com a mineradora, o Ebitda do primeiro trimestre de 2019 também foi impactado pelo menor volume de vendas de minério de ferro e pelotas na comparação com o mesmo período do ano passado. A Vale avalia que a queda ocorreu em parte devido às paralisações ocorridas em suas estruturas após a tragédia de Brumadinho. Também cita a adoção de novos procedimentos em portos chineses e a ocorrência de chuvas anormais no porto de Ponta da Madeira (MA).

A Vale informou ainda que a dívida bruta aumentou US$ 1,585 bilhão nesse primeiro trimestre de 2019, alcançando US$ 17,051 bilhões no primeiro trimestre. A razão desse crescimento, segundo nota divulgada pela mineradora, foi a "adição de US$ 1,842 bilhão de novas linhas de crédito captadas para cumprir com a obrigação de manter fundos bloqueados relacionados à ruptura da barragem de Brumadinho".

Fato: Agencia Brasil

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) homologou os primeiros acordos de indenizações individuais em favor de vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Intermediados pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), os acordos possibilitam maior celeridade para o pagamento de indenizações, sem prejudicar eventuais direitos que porventura venham a ser reconhecidos em ação coletiva futura.

A partir da homologação do acordo, feita ontem (2), a Vale terá cinco dias para depositar o dinheiro na conta dos beneficiários. Os valores das indenizações, bem como outros detalhes do termo de compromisso, não foram divulgados sob a justificativa de preservar a segurança e a privacidade dos atingidos.

Firmados por meio de termo de compromisso celebrado entre a Defensoria e a Vale - empresa responsável pela barragem localizada no córrego Mina do Feijão - os acordos foram firmados “com o objetivo de agilizar o pagamento de indenizações extrajudiciais, individuais ou por núcleo familiar, por danos materiais e morais, aos atingidos pelo rompimento da barragem”, informou a DPMG por meio de nota.

“De acordo com o termo, não serão descontados da indenização pecuniária tratada nos acordos valores recebidos pelo atingido a título de pagamento emergencial acertado na audiência de 20 de fevereiro deste ano, ou doações recebidas da Vale – emergenciais ou de caráter alimentar”, acrescenta a nota.

Quando o termo de compromisso entre a Vale e a Defensoria Pública de Minas Gerais foi assinado, foi objeto de preocupação manifestada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Na época, o promotor André Sperling argumentou em favor de negociações coletivas, de forma a evitar que vítimas da tragédia que estejam passando por necessidades se vejam obrigadas a aceitar a proposta da Vale.

“A Vale se aproveita da situação criada pela tragédia que ele mesma provocou para fazer com que as pessoas aceitem acordos violadores. E depois que tiver vários acordos individuais, a empresa poderá apresentá-los à Justiça como padrão de indenização que deve ser aplicado a todos", disse, na época, o promotor.

Segundo a DPMG, o termo firmado com a Vale tem como foco as pessoas hipossuficientes, sem condições de arcar com os custos de advogados. A Defensoria reforça que o acordo não retirará dos atingidos “quaisquer direitos futuros que venham a constar de eventuais ações e/ou acordos coletivos”.

Entre os acordos homologados, há o caso de um casal indenizado por danos morais e materiais, após sua casa, onde moravam com um filho, ter sido destruída pela lama. Também recebeu o mesmo tipo de indenização um senhor que havia construído uma casa em um lote recém-adquirido.

Em outro caso, um casal que perdeu a chácara onde morava foi compensado por danos materiais que incluem, além da perda do imóvel, a de animais, automóvel e maquinários. A quarta pessoa indenizada foi um homem, pela perda do imóvel, do mobiliário e dos bens de uso pessoal, bem como pelo aumento do custo de vida e pela interrupção de suas atividades econômicas.

Fato: Agencia Brasil 

Em um comunicado da Vale  publicado hoje (29) em jornais impressos de grande circulação no país, a mineradora anunciou a criação da Diretoria Especial de Reparação e Desenvolvimento. Baseada em Brumadinho (MG), ela será subordinada diretamente à presidência da mineradora.

A nova diretoria foi criada para dar continuidade e agilidade à execução de ações de reparação dos danos causados na tragédia ocorrida em 25 de janeiro com rompimento de uma barragem da mineradora Vale. Segundo os dados mais recentes da Defesa Civil de Minas Gerais, 232 pessoas morreram e outras 40 estão desaparecidas.

No anúncio, a mineradora também listou algumas ações que já foram adotadas, tais como as doações emergenciais às famílias dos mortos e às pessoas que tiveram seus negócios impactados, a compensação financeira a municípios afetados e a realização de obras para restabelecer a rotina das comunidades. "Reiteramos nosso compromisso de reparação e desenvolvimento de Brumadinho e região com transparência, respeito e trabalho", diz o texto anunciado.

Na semana passada, o município de Mário Campos, vizinho à Brumadinho, assinou um acordo com a Vale que prevê apoio emergencial aos serviços públicos de assistência social, saúde, fomento à agricultura e limpeza urbana. Entre as medidas elencadas, está a contratação temporária de profissionais para atuar nas áreas de saúde e atendimento psicossocial, além da locação de veículos e fornecimento de combustível para transporte das equipes. Também será colocado em prática, por uma empresa terceirizada, um plano de comunicação para promoção da agricultura na cidade e região.

Fato: Agencia Brasil

Nesta sexta-feira, 19 de abril, o Parque Zoobotânico Vale (PZV) estará fechado, em virtude do feriado da Paixão de Cristo. A visitação será retomada, normalmente, no sábado (20), das 10h às 16h.

O Parque Zoobotânico Vale está dentro de Unidade de Conservação, fiscalizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o apoio da Vale. O espaço é um local de conservação e possui espécies ameaçadas de extinção, como a harpia (gavião-real), onça pintada, suçuarana, macaco aranha da testa branca, macaco aranha da cara vermelha e o macaco cuxiú.

O parque desenvolve um programa de conservação (reprodução) de espécies, em cativeiro, a exemplo da ararajuba (Guaruba guarouba), e também um programa de pesquisa botânica no Herbário de Carajás.

O PZV conta com plantel de aproximadamente 270 animais, com destaque para as espécies de aves e mamíferos da fauna amazônica. O parque abre diariamente. A entrada é gratuita.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, classificou hoje (15) de desserviço o aumento do prazo para os municípios eliminarem lixões no país, proposta que deve passar por votação na Câmara dos Deputados em caráter de urgência. A meta inicial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que previa a substituição por aterros, era agosto de 2014, mas foi descumprida.

“A ideia de postergar, de maneira generalizada, o atingimento da meta do fechamento de lixões é um grande desserviço para o Brasil”, disse o ministro, ao participar do Seminário Internacional de Resíduos Sólidos. realizado em São Paulo pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base.

Para o ministro, municípios grandes e ricos como São Paulo deveriam ter “uma coleta seletiva minimamente bem-feita”. Na opinião de Salles, as cidades pequenas e afastadas dos grandes centros urbanos poderiam, porém, gozar de prazo mais flexível.

“Temos uma interlocução muito boa com os deputados na parte do meio ambiente. Já manifestamos preocupação sobre uma solução linear. Há casos, realmente, de municípios que estão muito longe de alcançar as metas, seja porque estão isolados ou porque entraram em colapso financeiro”, afirmou.

Concessão de parques

Ricardo Salles negou notícias de que a mineradora Vale teria a concessão de parques públicos em Minas Gerais. Há uma semana, em mensagem no Twitter, o ministro disse que tentaria converter a multa da R$ 250 milhões da empresa em investimentos para sete parques nacionais,com a construção de obras de infraestrutura, trilhas, atividades e serviços para estimular o ecoturismo. Futuramente, serão concedidos à iniciativa privada.

“Ninguém disse que a Vale vai ganhar concessão. Vamos ter investimento nos parques para que eles sejam concedidos. Hoje, os parques nacionais carecem de infraestrutura. São parques que poderiam estar gerando emprego, renda”, disse.

Fato: Agencia Brasil

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e três diretores da mineradora foram afastados por decisão do Conselho de Administração da empresa. Segundo nota divulgada à imprensa, os pedidos de afastamento foram feitos pelos próprios executivos, depois de recomendações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Civil do estado. Os afastamentos são temporários.

A decisão de aceitar os pedidos foi tomada entre a noite de sexta-feira (1º) e a madrugada de ontem (2). A presidência interina da empresa já foi assumida pelo diretor executivo de Metais Básicos da Vale, Eduardo de Salles Bartolomeo, conforme plano de interinidade previamente discutido.

Além de Schvartsman, foram afastados Gerd Peter Poppinga (diretor executivo de Ferrosos e Carvão), Lucio Flavio Gallon Cavalli (diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão) e Silmar Magalhães Silva (diretor de Operações do Corredor Sudeste).

Claudio de Oliveira Alves, atual diretor de Pelotização e Manganês, ocupará interinamente a função de diretor executivo de Ferrosos e Carvão, e Mark Travers, atual diretor Jurídico, de Relações Institucionais e Sustentabilidade de Metais Básicos, ocupará interinamente a função de diretor executivo de Metais Básicos.

“A Vale informa também que seu Conselho de Administração permanece em prontidão, na busca de um relacionamento transparente e produtivo com as autoridades brasileiras, visando ao esclarecimento dos fatos, à reparação apropriada dos danos e à integridade da empresa, e que manterá a sociedade e os mercados informados sobre qualquer fato novo”, diz a empresa em nota.

Presidente interino

O presidente interino da Vale, Eduardo Bartolomeo, estava na Diretoria Executiva de Metais Básicos da empresa desde 1º de janeiro de 2018. Antes disso, no entanto, já havia passado por outras diretorias. De 2004 a 2006, foi diretor do Departamento de Operações Logísticas e, de 2007 a 2012, foi diretor executivo na empresa.

De setembro de 2016 a dezembro de 2017, integrou o Conselho de Administração da Vale como representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  

Graduado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1988, tem títulos de MBA pela Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

(Agência Brasil)

Entra em operação ontem (5/2) a terceira membrana de contenção instalada no rio Paraopeba, a fim de proteger o sistema de captação de água de Pará de Minas (município localizado a 40km de Brumadinho) e garantir o abastecimento contínuo da região. Conforme informado, a iniciativa é uma medida preventiva e faz parte do plano apresentado pela Vale ao Ministério Público e aos órgãos ambientais.

Em 46 pontos ao longo do rio Paraopeba até a foz do rio São Francisco, a Vale continua também fazendo o monitoramento da água e de sedimentos, com coletas diárias que são enviadas para análise química. A cada hora é realizada ainda análise de turbidez, em outros quatro pontos. O rejeito que vazou da barragem 1 está concentrado no córrego Feijão e Carvão e na sua confluência com o Paraopeba.


Entenda como funciona a barreira

A barreira de contenção instalada tem 50 metros de comprimento e profundidade de dois a três metros. A estrutura funciona como um tecido filtrante, evitando a dispersão das partículas sólidas (argila, silte, matéria orgânica etc), que provocam a turbidez da água e alteram sua transparência.

Para manter a verticalidade das cortinas antiturbidez, há correntes metálicas na borda inferior (na parte imersa), onde são acoplados pesos, não permitindo que o fluxo do rio faça a cortina subir até a superfície da água. Já o elemento flutuante utilizado é uma boia cilíndrica, que pode ser utilizada para conter o avanço de elementos suspensos na água.

( Ascom/ Vale)

Em função do rompimento da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a Vale informa que o Conselho de Administração, em reunião extraordinária, no dia 27.01.2019, deliberou as seguintes medidas de governança:

Com fundamento no Art. 15, §1º do Estatuto Social, constituiu dois Comitês Independentes de Assessoramento Extraordinário ("CIAE") ao Conselho de Administração, coordenados e compostos por maioria de membros externos, independentes, de reputação ilibada e com experiência nos temas de que se ocuparão, a serem indicadas pelo Conselho.

O primeiro Comitê Independente será dedicado ao acompanhamento das providências destinadas à assistência às vítimas e à recuperação da área atingida pelo rompimento da barragem, de modo a assegurar que serão empregados todos os recursos necessários - "CIAE de Apoio e Reparação".

O segundo Comitê Independente será dedicado à apuração das causas e responsabilidades pelo rompimento da barragem - "CIAE de Apuração".

Adicionalmente, deliberou as seguintes mudanças no sistema de remuneração e incentivos:

  1. A suspensão da Política de Remuneração aos Acionistas e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão; e
  2. Suspensão do pagamento de remuneração variável aos executivos.

O Conselho de Administração permanece em prontidão e acompanhando a evolução dos eventos relativos ao rompimento da barragem e tomará as medidas adicionais necessárias.

 

Na manhã deste sábado, 26, o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) publicou nota em rede social sobre o desastre ocorrido na cidade de Brumadinho- MG em uma das barragens da mineradora Vale, que rompeu no início da tarde de ontem, sexta-feira (26).

O MAM  é um movimento social criado  em 2012, seu histórico de lutas se dá em todas as regiões afetadas direta e indiretamente pela existência dos projetos de mineração. Reunindo militantes ativos nas discussões a cerca dos conflitos caudados pela atividade mineral no Brasil, posiciona-se como um movimento anticapitalista e anti-imperialista.

Leia nota na íntegra:

Rompimento de barragem de rejeitos da Vale mata gente e destrói Rio Paraopeba

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), é mais um episódio decorrente do modelo predatório de mineração adotado pelo Estado brasileiro em conivência com as empresas transnacionais que atuam no setor. 

A barragem de rejeitos é pertencente ao Complexo Minerário de Paraopeba, localizado nos municípios de Brumadinho e Sarzedo. O Complexo foi responsável pela produção de 7% do volume total de minério de ferro explorado pela Vale no Brasil em 2018. Além de três barragens de rejeitos, o Complexo é formado pelas minas de Jangada, Córrego do Feijão, planta de beneficiamento e estruturas complementares, como barragens de contenção de sedimentos.  

Em dezembro de 2018, a Vale obteve as licenças ambientais para ampliação da Mina do Córrego do Feijão de forma acelerada, desrespeitando os trâmites normais. O processo de obtenção das licenças ambientais foi realizado de maneira irresponsável, burlando os ritos tradicionais, negligenciando os impactos no abastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e contrariando a vontade popular que reivindicava a negação da ampliação do empreendimento. 

O crime causado pela Vale matou 9 pessoas até o momento, inúmeras pessoas ficaram feridas e cerca de 350 pessoas ainda estão desaparecidas. Os rejeitos chegaram ao rio Paraopeba destruindo tudo em seu caminho, seja casas, plantações, matas e segue o leito correndo o risco de desembocar no Rio São Francisco. O abastecimento de água de várias cidades pode ficar comprometida, prejudicando comunidades rurais e parte do sistema de abastecimento da MBH.  

A Vale, que historicamente mantém uma prática perniciosa nas regiões onde atua, violando os direitos das comunidades, perseguindo lideranças e destruindo os modos de vida dos territórios, permanece impune até hoje pelo crime cometido em Mariana. A mineradora entra para a história, mais uma vez, como responsável pela morte de dezenas de pessoas.  

Manifestamos nossa profunda solidariedade aos trabalhadores, comunidades atingidas e familiares que tiveram seus entes perdidos pelo crime cometido pela Vale. Estaremos atuando de forma conjunta, na organização e construção das lutas necessárias para que os direitos sejam garantidos e a empresa responsabilizada. Exigimos do Estado brasileiro a responsabilização da Vale, dos órgãos ambientais que permitiram mais essa tragédia e a reparação imediata dos danos causados às famílias atingidas.  

Ao povo brasileiro não há outra alternativa a não ser lutar contra esse modelo de morte, de saqueio mineral, que impõe uma lógica destrutiva no nosso país! Crimes como esses serão recorrentes se não impormos derrotas ao capital mineral. É necessário tomarmos os rumos da história pelas nossas próprias mãos e exercer a soberania popular na mineração, onde os minérios estejam a serviço e sob controle do povo brasileiro. 

Por um país soberano e sério!

Contra o saque dos nossos minérios!

Helicóptero faz trabalho de resgate em área atingida por lama após rompimento por barragem em Brumadinho — Foto: Reprodução/TV Globo

 

 

A Vale inaugura nesta quinta-feira, 10/1, em Vitória (ES), o Centro de Inteligência Artificial (AI Center), um espaço para desenvolver e monitorar iniciativas nas unidades do Brasil e de outros países onde atua. Inteligência Artificial pode ser entendida como a habilidade das máquinas de simular o processo de tomada de decisão dos humanos e de executar tarefas complexas como nós fazemos. O centro está localizado na Unidade Tubarão, em Vitória, e conta com cientistas, engenheiros de dados e especialistas de negócios.

O foco dos trabalhos está na otimização da manutenção de ativos - de caminhões fora de estrada a trilhos de ferrovia -, na melhoria da gestão dos processos de usinas de beneficiamento de minério e de pelotização e no aperfeiçoamento de controles ambientais, de saúde e segurança e de integridade corporativa.

 AI Center, em Vitória

Atualmente, as equipes da Vale trabalham em 13 linhas de projetos, que são executados em conjunto com as áreas de negócio da empresa (ferrosos, metais básicos e carvão), assim como iniciativas ligadas à saúde e segurança de empregados. Os projetos que já foram entregues geraram uma economia de mais de R$ 74 milhões por ano e há previsão de se obter mais R$ 136 milhões de benefícios com outras ações em andamento. 

Um dos projetos pioneiros coletou os dados gerados por equipamentos da mina de cobre  Salobo, no município de Marabá (Pará) - como caminhões fora de estrada, escavadeiras e carregadeiras - com técnicas de Inteligência Artificial. A iniciativa permitiu o aumento da vida útil de pneus de caminhões fora de estrada em cerca de 30% em um ano, o que gerou uma economia de R$ 28 milhões.

"O AI Center favorece a integração e a colaboração intensas entre os responsáveis pelos diferentes projetos", explica o gerente-executivo de Inovação em TI, Hélio Mosquim. "Com a criação do AI Center, os profissionais poderão trocar experiências e conhecimento, fundamentais para aumentar a sinergia entre as equipes e gerar resultados em escala global. Muito do que é criado para um projeto pode ser aplicado em outro", explica.

"A Inteligência Artificial tem potencial de gerar valor para todas as áreas de negócio da Vale", afirma o diretor de Transformação Digital, Afzal Jessa. "É mais um importante passo no programa de transformação digital que estamos implantando, que tem o objetivo de aumentar a produtividade e a eficiência operacional, alcançar os melhores índices de saúde e segurança, melhorar nossa performance financeira e impulsionar a inovação."

Sensores ao lado dos trilhos captam informações sobre os rodeiros dos vagões. 

Transformação digital

O programa de transformação digital da Vale, do qual a implantação do AI Center faz parte, se baseia em melhorar a performance de ativos, otimizar a manutenção, aumentar a eficiência da força de trabalho e integrar a cadeia de valor. Além de Inteligência Artificial, outras inovações tecnológicas desenvolvidas pela empresa estão nas áreas de Internet das Coisas, aplicativos móveis, robotização e equipamentos autônomos (como caminhões e perfuratrizes).

Com o programa de transformação digital, a expectativa é que a Vale obtenha ganhos em todas as áreas de negócio e, especificamente no minério de ferro, reduza o custo de produção em US$ 0,50/t até 2023.

Conheça seis exemplos de projetos que estão sendo desenvolvidos no AI Center:

1) Prevenção de fratura de trilhos - Um dos projetos de maior impacto está sendo desenvolvido na Estrada de Ferro Carajás (EFC) - ferrovia que atende 27 municípios e localidades entre o Pará e oMaranhão - com o foco de prever fraturas nos trilhos - a ocorrência que acontece com maior frequência e que é considerada a mais grave para o funcionamento da operação. A partir dos dados gerados pelas ferrovias, foi encontrada uma solução que identifica se há uma ou mais fraturas em um determinado trecho. Além do aumento da segurança operacional, há o benefício do tempo em que a ferrovia deixa de ser paralisada em virtude de fraturas de trilhos. 

2) Manutenção de rodeiros de trem - Um conjunto de sensores instalados ao lado da ferrovia - os waysides - monitoram desgastes e impacto dos rodeiros (conjunto de rodas e eixo dos trens), temperatura e ruído de rolamentos e deslocamentos de truque (uma peça importante do vagão). Cruzando os dados gerados por esses sensores com informações de outros sistemas, foram criados modelos matemáticos que permitem à equipe de manutenção uma visão do comportamento dos rodeiros para os 30 dias seguintes. Com base nessas informações, a equipe consegue planejar a compra e manutenção dos ativos de forma a estender sua vida útil. Em um ano o programa gerou economia de R$ 2,3 milhões -  cerca de dez vezes o valor investido na sua execução.

3) Manutenção de ativos de mina - São coletados os dados gerados por equipamentos de mina - como caminhões fora de estrada, escavadeiras e carregadeiras - e são aplicadas as técnicas de Inteligência Artificial. Um dos projetos pioneiros foi na mina de Salobo, no Pará, onde a vida útil dos pneus de caminhões fora de estrada aumentou em cerca de 30% em um ano. Esses projetos já geraram R$ 28 milhões de economia.

Outro projeto contempla o aumento de vida útil e prevenção de falha prematura do trem de força de caminhões fora de estrada e de outros ativos móveis da mina, como carregadeiras e escavadeiras. O trem de força é o conjunto de componentes formado por motor, transmissão, conversor de torque, diferencial, eixos e comandos finais nas rodas. É um dos projetos de maior alcance, com o envolvimento de 15 operações no Brasil, Canadá e Moçambique. Um total de 60% dos caminhões fora de estrada da empresa já utilizam este sistema. O potencial aprovado de economia é de mais de R$ 10 milhões.

4) Redução de consumo de combustível Em parceria com as áreas operacionais da Vale e pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, os cientistas de dados da empresa desenvolveram um sistema para redução de combustíveis de caminhões fora de estrada. O projeto foi testado em Minas Gerais e apresentou potencial de redução de consumo de diesel no valor de R$ 1,5 milhão por ano.

5) Otimização de processos na pelotização - Dados gerados no processo de produção de pelotas - pequenos aglomerados de minério de ferro usados na indústria siderúrgica - foram analisados com técnicas de Inteligência Artificial e geraram diversos insights, além de recomendações para as condições ideias de operação das usinas de pelotização. Com essas melhorias de processo, foi obtida uma economia de R$ 12 milhões por ano em uma das usinas, em Vitória. Os ganhos vieram a partir da redução dos custos variáveis em cerca de 7% por meio de um balanceamento mais eficiente entre o carvão e o gás natural - insumos utilizados no processo - e a redução do uso de energia elétrica, entre outros fatores.

6) Análise de dados para evitar incidentes de segurança - Iniciado em 2017, o projeto realizado em parceria com a área de Saúde e Segurança analisa o perfil demográfico de empregados para avaliar quais estão mais expostos a riscos de acidentes. A partir disso, os dados gerados são combinados com históricos de acidentes, quase-acidentes e condições inseguras das localidades. A partir dessas informações, o sistema calcula a probabilidade de determinada área ter um incidente em um período de tempo específico - por exemplo, em uma semana - bem como o seu risco atual, permitindo avaliar se houve um aumento ou redução da exposição do risco dos empregados no ambiente de trabalho e, com isso, priorizar as atividades dos profissionais de saúde e segurança.

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