São Paulo: Avenida vira corredor de ocupações

Não é só o centro, onde o edifício Wilton Paes de Almeida pegou fogo e desabou no dia 1º, que está recheado de ocupações em São Paulo. Na busca por moradia, sem-teto têm ocupado terrenos nas bordas da cidade. O fenômeno não é novo, mas ganhou impulso em função do desemprego e do preço dos aluguéis.

Na zona leste, a região mais populosa da cidade, as ações consolidam a ocupação de áreas extremas da periferia, onde o desemprego é maior, e se aproximam dos limites do município. 

Boa parte das ocupações recentes no extremo leste é organizada por moradores do entorno de terrenos particulares vagos. No embalo desse movimento, famílias têm trocado o aluguel em casas de alvenaria em bairros menos distantes do centro por barracos de madeiras montados em bairros mais afastados.

“As ocupações na periferia de São Paulo foram intensas entre as décadas de 1960 e 1980, diminuíram um pouco, mas mudanças econômicas e urbanísticas nas áreas periféricas aumentaram a disputa por terras e a acirram as ocupações”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Houve uma explosão de ocupações na zona leste de um ano e meio para cá”, afirma Osmar Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia. “Teve uma explosão imensa de ocupações na região”, reforça Luciano Santos, presidente da associação de moradores da ocupação Pinheirinho 2, no distrito do Iguatemi, região de São Mateus, quase 30 km distante do centro e vizinho do município de Mauá.

Os preços dos terrenos e dos aluguéis subiram muito acima do aumento de renda. Agora que estamos vivendo um aumento do desemprego, com renda e políticas redistributivas diminuindo, o negócio explode em ocupações porque não tem alternativa nem no acesso à compra da casa própria nem no aluguel formal e informal. Ninguém vai morar na zona rural de São Mateus, num barraco, porque quer. A gente precisa deixar isso bem claro. Essas ações são absolutamente resultantes da falta de opção  

Raquel Rolnik, urbanista, professora da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e ex-relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada

O acesso ao Pinheirinho 2 é feito pela avenida Bento Guelfi, que se transformou em um corredor de ocupações. “Era um lugar ermo. A região começou a desenvolver nos últimos anos. Chegou o CEU (Cento Educacional Unificado), parece que vai ter metrô perto [o monotrilho da linha 15-prata] e começou a haver interesse pela região no mercado. Aí invadiram tudo”, diz o advogado André Batalha de Camargo, cuja família é dona do terreno.

“Aqui é uma região bem periférica, com bastante área verde, mas não de mata nativa. Se as famílias que não têm condição financeira acreditam que há uso indevido de terreno, que o dono está esperando a valorização, elas ocupam e se aventuram nessa situação. Fazem barraco e buscam negociação com o proprietário. É gente sem condição de assumir um compromisso do programa Minha Casa, Minha Vida, que não tem Fundo de Garantia e está na situação de pagar aluguel ou comer”, comenta Santos, líder do Pinheirinho 2.

À beira da Bento Guelfi surgiu recentemente outra ocupação com potencial para se consolidar como uma das maiores da cidade, com 5.000 famílias já cadastradas pela liderança. De tão recente --tem apenas sete meses--, ainda há confusão sobre o seu nome.

Por causa da iniciativa, o líder Wendell Nunes esteve preso entre fevereiro e março, mas o cadastro de novos interessados em participar do grupo continua, e barracos de madeira são montados em um morro.

“Verificamos ocupações extremamente precárias como há muito tempo a gente não via no município de São Paulo. É diferente das de alvenaria, um pouco mais estruturadas. Vemos muito claramente que é um novo ciclo de emergência habitacional no município”, alerta Raquel Rolnik.

(Portal UOL)

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Sul e Sudeste do Pará

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