Cartografia social do Pará aponta para a resistência das matas de babaçu e das quebradeiras de coco

As Quebradeiras de Coco Babaçu reivindicaram ações mais incisivas contra o desmatamento e a devastação dos babaçuais As Quebradeiras de Coco Babaçu reivindicaram ações mais incisivas contra o desmatamento e a devastação dos babaçuais

Pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Cartografia Social e Política da Amazônia (PPGCSPA) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Estadual do Maranhão (Uema), com apoio da Ford Foundation realizaram uma extensa pesquisa sobre o modo de vida das Quebradeiras de Coco Babaçu do Sul do Pará.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em um seminário realizado no dia 08 de maio, pelos professores no município de Marabá-PA. Os estudos da Nova Cartografia Social dos babaçuais: mapeamento social da região ecológica do babaçu também envolvem os cenários do Maranhão, Piauí e Tocantins e contou também, com a parceria do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do MA, PA, PI e TO (MIQCB).

Durante a pesquisa, os envolvidos realizaram trabalho de campo, georreferenciamento, reuniões e encontros de movimentos sociais e pesquisadores para levantamento e debate das questões pesquisadas. Foi feita a retomada de mapas produzidos no âmbito da nova cartografia social da Amazônia e de fontes externas.

As dificuldades encontradas pelas Quebradeiras de Coco Babaçu são enormes, uma delas é a distância percorrida para ter acesso ao fruto devido ao desmatamento e devastação e envenenamento constante das florestas. “Hoje temos que andar até 5 km para acessar o babaçual, o que dificulta muito a nossa atividade”, enfatizou Jucilene Rodrigues de Sousa, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu. Para Jucilene, as Quebradeiras de Coco Babaçu também enfrentam a concorrência desleal da produção da ração animal, carvoeiras e cerâmicas. “Todas essas práticas incentivam a queima do coco inteiro”, lamentou.

Na apresentação da Nova Cartografia, participaram representantes e lideranças de quebradeiras de coco babaçu do Piauí, Imperatriz-MA, Tocantins e Pará, região conhecida como Bico do Papagaio, violenta por causa dos conflitos de terras. Os presentes participaram de um debate sobre o tema: “Diálogos de pesquisa: Quebradeiras de coco babaçu e nova cartografia social”, na qual puderam esclarecer dúvidas e contribuir com a temática.

 Apesar do desmatamento, o Mapa Social e Ambiental aponta um frequente brotamento de palmeiras e formação de pindoval. “O mapa contrapõe o posicionamento do Governo em insistir em dizer que não existe o babaçu. Nós, quebradeiras de coco babaçu, preservamos as florestas nativas”, enfatizou Francisca Nascimento, coordenadora geral do MIQCB.

Para dona Francisca Vieira, liderança do Tocantins, o lançamento do mapa é de extrema importância, pois a história das quebradeiras de coco babaçu consta nos mapas de pesquisa a partir de um relato das próprias mulheres, respeitando a cultura e o conhecimento. “Não somos professoras universitárias, mas somos professoras sobre babaçus. É importante essa parceria leal para que possamos preservar um modo de vida tradicional, ao contrário de muitos pesquisadores que estão se apropriando do babaçu para uso pessoal”, denunciou.

Durante o seminário, as Quebradeiras de Coco Babaçu reivindicaram ações mais incisivas contra o desmatamento e a devastação dos babaçuais e o fortalecimento da organização política, identitária e as práticas agroextrativistas. Dona Eunice Costa, quebradeira de oco e liderança em Imperatriz- MA, alerta para a necessidade do cumprimento das leis do Babaçu aprovada no município de São Domingues do Araguaia-PA e em tantos outros municípios. “É preciso que as quebradeiras de coco participem do debate sobre a criação e aprovação da Lei do Babaçu Livre e depois de aprovada que haja o respeito pela lei, principalmente pelas autoridades”, finalizou.

Na apresentação da Nova Cartografia, participaram representantes e lideranças de quebradeiras de coco babaçu do Piauí. Imperatriz-Ma, Tocantins e Pará.

 

 

Francisca Nascimento,  coordenadora geral do MIQCB, disse que as Quebradeiras de Coco trabalham de forma sustentável, respeitando a preservação de florestas nativas.

(Da redação)

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Sul e Sudeste do Pará

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