ARTEMIS II FAZ HISTÓRIA: 54 ANOS DEPOIS, HUMANIDADE VOLTA À LUA EM MISSÃO TRIPULADA

Com Victor Glover como piloto, missão histórica da NASA levou quatro astronautas ao espaço profundo, estabeleceu recorde de distância e abriu uma nova página na

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Com Victor Glover como piloto, missão histórica da NASA levou quatro astronautas ao espaço profundo, estabeleceu recorde de distância e abriu uma nova página na exploração lunar.

Há acontecimentos que ultrapassam as fronteiras de um país e passam a fazer parte da história da humanidade. A missão Artemis II, da NASA, foi um deles.

No dia 10 de setembro de 2026 completaram-se cinco meses da histórica amerissagem da Artemis II no Oceano Pacífico, encerrando uma extraordinária jornada de quase dez dias ao redor da Lua.

A missão partiu do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no dia 1º de abril de 2026, impulsionada pelo poderoso foguete Space Launch System (SLS), levando ao espaço a cápsula Orion, batizada de Integrity, e quatro astronautas que entrariam definitivamente para a história da exploração espacial.

A tripulação foi formada pelo comandante Reid Wiseman, pelo piloto Victor Glover, pela especialista de missão Christina Koch, todos da NASA, e pelo especialista de missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.

Depois de uma viagem histórica pelo espaço profundo, os quatro astronautas retornaram em segurança à Terra. A Orion amerissou no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, na Califórnia, às 17h07 do dia 10 de abril, horário local.

Era o fim de uma missão. Mas, ao mesmo tempo, o início de uma nova era.

A HUMANIDADE VOLTOU AO ESPAÇO PROFUNDO

A Artemis II representou o primeiro voo tripulado do Programa Artemis e o primeiro voo tripulado da Orion. Mais do que isso: seus astronautas foram os primeiros seres humanos a viajar em direção à Lua desde a Apollo 17, em 1972.

Foram mais de cinco décadas de espera.

Durante a missão, a tripulação realizou um histórico sobrevoo lunar e estabeleceu um novo recorde de distância da Terra para seres humanos. Segundo a NASA, a Artemis II chegou a 252.756 milhas — cerca de 406,8 mil quilômetros — da Terra em seu ponto mais distante.

O feito superou o recorde anteriormente associado à Apollo 13.

A Artemis II não pousou na Lua. Sua missão era outra e extremamente importante: testar, com seres humanos a bordo, os sistemas necessários para que as próximas etapas do Programa Artemis possam avançar rumo a operações lunares cada vez mais complexas.

Foi, portanto, um gigantesco laboratório espacial tripulado.

VICTOR GLOVER: UM PILOTO PARA A HISTÓRIA

Foto: Astronauta Victor Jerome Glover

Entre os quatro integrantes da Artemis II, um nome teve para mim um significado particularmente especial: Victor Jerome Glover.

Reid Wiseman era o comandante da missão. Mas a função de piloto da Artemis II coube a Victor Glover.

E isso não é um detalhe.

Glover tornou-se o primeiro astronauta negro a participar de uma missão lunar.

Como homem negro, jornalista e alguém que acredita profundamente no poder transformador da ciência, confesso que acompanhar Victor Glover naquela espaçonave me causou uma emoção muito particular.

Ali não estava apenas um astronauta.

Para milhões de pessoas negras ao redor do planeta, estava também a demonstração de que nenhum lugar — nem mesmo o espaço profundo — deve possuir fronteiras determinadas pela cor da pele.

Glover nasceu em Pomona, na Califórnia, em 30 de abril de 1976. Engenheiro, aviador naval e piloto de testes, construiu uma trajetória profissional marcada por elevada qualificação técnica.

Foi selecionado pela NASA para o corpo de astronautas em 2013.

Antes da Artemis II, já possuía uma experiência espacial extraordinária. Foi piloto da missão SpaceX Crew-1, a bordo da Crew Dragon Resilience, e atuou como engenheiro de voo nas Expedições 64 e 65 da Estação Espacial Internacional.

Glover também acumulou experiência como piloto de aeronaves militares como o F/A-18 Hornet e Super Hornet e o EA-18G Growler.

Quando assumiu os controles como piloto da Artemis II, portanto, não estava ali por acaso. Era o resultado de décadas de formação, treinamento, disciplina e experiência.

UMA TRIPULAÇÃO QUE QUEBROU BARREIRAS

Toda a tripulação da Artemis II carregava consigo elementos históricos.

Reid Wiseman, comandante, liderou a missão.

Victor Glover, piloto, tornou-se o primeiro negro a participar de uma missão lunar.

Christina Koch, especialista de missão, tornou-se a primeira mulher a realizar uma viagem lunar.

E Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, tornou-se o primeiro canadense — e o primeiro não americano — a participar de uma missão tripulada à Lua.

Quatro astronautas. Quatro histórias. Uma única missão que ajudou a mudar a história da exploração espacial.

UMA MISSÃO BILIONÁRIA

Colocar seres humanos no espaço profundo exige uma infraestrutura tecnológica e financeira gigantesca.

Não existe, entretanto, um número oficial simples que represente isoladamente “o preço da Artemis II”, porque os sistemas utilizados foram desenvolvidos ao longo de muitos anos e servem a diversas missões do Programa Artemis.

O Escritório do Inspetor-Geral da NASA estimou anteriormente que produzir e operar o conjunto SLS/Orion custaria aproximadamente US$ 4,1 bilhões por lançamento, sem contabilizar os custos anteriores de desenvolvimento e determinadas tecnologias futuras.

Os investimentos acumulados são muito maiores. O foguete SLS, a Orion, os sistemas terrestres e toda a infraestrutura necessária representam dezenas de bilhões de dólares investidos durante anos para permitir que seres humanos voltem a viajar além da órbita baixa terrestre.

É ciência de altíssima complexidade. É engenharia levada aos limites conhecidos pelo homem.

O MUNDO PAROU PARA ACOMPANHAR A ARTEMIS II

O interesse público foi gigantesco.

Dados divulgados posteriormente pela própria NASA mostram que as transmissões da Artemis II acumularam mais de 149,4 milhões de visualizações nas plataformas da agência, considerando lançamento, sobrevoo lunar, retorno e transmissões contínuas da missão.

Somente o conteúdo “Artemis II Crew Comes Home”, dedicado ao retorno, alcançou 29,5 milhões de visualizações nas plataformas da NASA, sendo aproximadamente 24,1 milhões durante a sequência ao vivo do retorno.

No momento da amerissagem, a audiência simultânea chegou a aproximadamente 3,84 milhões de espectadores, segundo a NASA.

Além das plataformas da própria agência, a cobertura foi disponibilizada em grandes serviços de streaming, ampliando extraordinariamente seu alcance potencial em todo o planeta.

Foi um espetáculo científico acompanhado em escala mundial.

ACOMPANHEI A MISSÃO COMO JORNALISTA

Para mim, a Artemis II também possui uma dimensão profissional muito especial.

Como jornalista credenciado pela NASA, acompanhei as informações oficiais disponibilizadas pela agência e recebi regularmente releases e atualizações sobre a missão.

Durante a jornada da Artemis II, produzi diversas matérias jornalísticas acompanhando os acontecimentos e procurando levar aos leitores informações sobre aquela extraordinária aventura humana.

Foram dias acompanhando lançamento, trajetória, operações da espaçonave, passagem pela Lua e preparação para o dramático retorno à atmosfera terrestre.

Para um jornalista apaixonado pela ciência e pela exploração espacial, foi um privilégio profissional acompanhar uma missão dessa dimensão histórica.

CIÊNCIA NÃO É QUESTÃO DE CRENÇA

Como ocorreu durante o Programa Apollo, ainda existem pessoas que manifestam ceticismo ou desconfiança em relação às missões lunares.

Respeito o direito das pessoas de questionarem. Questionar, aliás, faz parte da própria ciência.

Mas questionamento científico exige evidências.

Como jornalista e defensor da ciência, acredito plenamente na realidade e na importância histórica da missão Artemis II.

Não porque a NASA simplesmente afirmou que a missão aconteceu, mas porque uma operação dessa magnitude produz uma enorme quantidade de evidências técnicas, registros, imagens, telemetria, comunicações, acompanhamento independente e participação de milhares de profissionais, empresas, instituições e parceiros internacionais.

A ciência deve ser analisada por suas evidências.

E as evidências da Artemis II são extraordinárias.

UMA NOVA PÁGINA NA HISTÓRIA

Quando a cápsula Orion tocou as águas do Oceano Pacífico naquele 10 de abril de 2026, não estavam retornando apenas quatro astronautas.

Retornava uma humanidade que, depois de mais de meio século, havia novamente enviado seres humanos às proximidades da Lua.

Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen escreveram seus nomes na história.

Mas permitam-me destacar novamente Victor Glover.

Ver um homem negro pilotando uma espaçonave em uma das mais importantes missões da história recente da exploração espacial foi, para mim, algo profundamente simbólico.

Da Terra à Lua, a humanidade demonstrou mais uma vez aquilo que ciência, conhecimento, coragem e determinação são capazes de realizar.

A Artemis II foi muito mais do que uma viagem ao redor da Lua.

Foi uma ponte entre a geração Apollo e uma nova geração de exploradores.

Foi o reencontro da humanidade com o espaço profundo.

E Victor Glover estava lá, como piloto, ajudando a conduzir essa história.

Fonte: Carlos Magno | Jornalista — DRT/PA 2627 | Credenciado pela NASA