TRUMP desafia a constituição americana e provoca o fantasma Obama em 2028, uma disputa entre Ferrari e Fusca?

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Às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, Donald Trump enfrenta forte rejeição popular e vê o Partido Republicano ameaçado de sofrer perdas expressivas no Congresso.

Enquanto o presidente alimenta discussões sobre um terceiro mandato, proibido pela Constituição americana, camisetas com a inscrição “Obama 2028” transformam o ex-presidente democrata em símbolo de uma provocação política.

Os Estados Unidos estão prestes a enfrentar mais um momento decisivo de sua história política. Na próxima terça-feira, 3 de novembro, milhões de americanos irão às urnas para as eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterm elections, que definirão a composição do Congresso americano e representarão um importante teste para o presidente Donald Trump, do Partido Republicano.

Trump, que exerce seu segundo mandato presidencial não consecutivo, enfrenta um cenário de acentuada impopularidade. Pesquisas nacionais apontam dificuldades para o Partido Republicano, enquanto o Partido Democrata tenta transformar a insatisfação popular em conquistas eleitorais.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos, concluída em 26 de outubro, apontou que apenas 32% dos americanos aprovavam o desempenho de Donald Trump na Presidência. Entre os eleitores registrados, os democratas apareciam com 47% das intenções de voto para o Congresso, contra 36% dos republicanos.

Outro levantamento, divulgado pelo instituto Marist em 27 de outubro, mostrou os democratas com 52% das preferências entre os eleitores prováveis, contra 44% dos republicanos.

Os números indicam um ambiente eleitoral difícil para o partido do presidente e alimentam expectativas de perdas expressivas nas eleições legislativas. Entretanto, a possibilidade de uma derrota histórica dependerá dos resultados efetivos nas disputas pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

TRUMP QUER UM TERCEIRO MANDATO, MAS A CONSTITUIÇÃO AMERICANA PROÍBE

Mas as eleições legislativas não representam a única questão que movimenta os bastidores da política americana.

Donald Trump, do Partido Republicano, tem alimentado discussões sobre a possibilidade de permanecer na Casa Branca além de seu segundo mandato, levantando um debate que atinge diretamente os fundamentos constitucionais dos Estados Unidos.

A 22ª Emenda à Constituição americana, ratificada em 1951, estabelece expressamente que nenhum cidadão poderá ser eleito presidente dos Estados Unidos mais de duas vezes.

A regra é clara: Donald Trump não pode ser eleito para um terceiro mandato presidencial sob a Constituição atualmente em vigor.

O fato de seus mandatos não serem consecutivos, de 2017 a 2021 e de 2025 a 2029, não altera essa proibição.

Qualquer tentativa de modificar esse limite enfrentaria um processo constitucional complexo, que exige amplo apoio político e ratificação por três quartos dos estados americanos.

Existe ainda outro detalhe que merece atenção: a idade dos dois personagens centrais dessa hipotética disputa presidencial.

Donald Trump, nascido em 14 de junho de 1946, estará com 82 anos nas eleições presidenciais de novembro de 2028.

Já Barack Obama, nascido em 4 de agosto de 1961, estará com 67 anos na mesma ocasião.

Portanto, caso uma mudança constitucional permitisse a participação de ambos, Trump seria 15 anos mais velho que Obama.

A diferença de idade acrescentaria outro elemento ao debate político, especialmente em um país onde a longevidade dos candidatos presidenciais tem despertado discussões sobre renovação geracional e liderança.

“OBAMA 2028”: A CAMISETA QUE TRANSFORMOU A CONSTITUIÇÃO EM PROVOCAÇÃO POLÍTICA

Uma frase estampada em camisetas associadas ao debate sobre um eventual terceiro mandato de Trump sintetiza, com ironia, a controvérsia:

“OBAMA 2028 — SINCE RULES DON’T EXIST ANYMORE.”

Em tradução livre para o português:

“OBAMA 2028 — JÁ QUE AS REGRAS NÃO EXISTEM MAIS.”

A mensagem representa uma provocação à possibilidade de Donald Trump tentar disputar novamente a Presidência.

A lógica da ironia é simples: se as regras constitucionais deixassem de valer para o republicano Donald Trump, por que deveriam continuar valendo para o democrata Barack Obama?

Entretanto, há um detalhe fundamental. Obama também foi eleito duas vezes, em 2008 e 2012, e está submetido à mesma limitação constitucional.

Portanto, uma eventual candidatura sua em 2028 também seria proibida pelas regras atuais.

As camisetas representam, assim, uma manifestação de humor e contestação política, e não o anúncio de uma candidatura oficial. Embora a frase tenha sido associada ao debate político americano, sua distribuição está acontecendo em todos os estados do país.

BARACK OBAMA: O CARISMA DE UM PRESIDENTE QUE MARCOU A HISTÓRIA

Barack Hussein Obama, do Partido Democrata, entrou definitivamente para a história em 20 de janeiro de 2009, quando tomou posse como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Sua eleição representou um marco histórico para a sociedade americana e despertou enorme interesse internacional.

Dono de uma extraordinária capacidade de comunicação, Obama construiu uma imagem pública associada à eloquência, ao carisma e à habilidade de estabelecer uma conexão direta com multidões.

Seus discursos frequentemente atraíam milhares de pessoas. Sua presença despertava entusiasmo não apenas entre americanos, mas também em diferentes países.

Naturalmente, seu governo também enfrentou críticas e controvérsias. Ainda assim, seu estilo de liderança e sua capacidade de mobilização política permanecem como elementos importantes de seu legado.

E aqui faço questão de registrar uma experiência pessoal que considero uma das mais significativas de minha trajetória profissional.

UM JORNALISTA DO INTERIOR DA AMAZÔNIA NA COMITIVA DE IMPRENSA DE BARACK OBAMA

Em março de 2011, tive a honra e o privilégio de integrar, como jornalista credenciado, a cobertura de imprensa da histórica visita oficial do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil.

Para quem construiu sua trajetória profissional no interior da Amazônia brasileira, especialmente em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, aquela experiência representou um momento extraordinário.

Estar presente na cobertura de uma visita presidencial daquela magnitude, acompanhando de perto a movimentação da imprensa nacional e internacional, foi uma oportunidade que jamais esquecerei.

Pude observar pessoalmente o impressionante aparato de segurança mobilizado em torno do presidente da maior potência econômica e militar do planeta.

Mas não foi apenas a estrutura de segurança que me impressionou.

O que mais chamou minha atenção foi o extraordinário carisma de Barack Obama.

Sua presença despertava curiosidade, entusiasmo e admiração. Era possível perceber a dimensão internacional daquele personagem político que havia rompido uma barreira histórica ao chegar à Presidência dos Estados Unidos.

Como jornalista que atua profissionalmente em Canaã dos Carajás desde 2002, guardo aquela cobertura entre as experiências mais marcantes de minha carreira.

Acompanhar um acontecimento daquela importância histórica, vindo do interior da Amazônia, foi também a demonstração de que o jornalismo regional pode ultrapassar fronteiras e participar da cobertura dos grandes acontecimentos mundiais.

Quinze anos depois, ao observar o debate político americano, recordo com especial emoção aquela experiência profissional.

TRUMP E OBAMA: DOIS PARTIDOS, DUAS GERAÇÕES E UMA COMPARAÇÃO ENTRE FERRARI E FUSCA

Donald Trump, do Partido Republicano, e Barack Obama, do Partido Democrata, representam estilos profundamente diferentes de comunicação e liderança política.

Trump construiu sua trajetória com discursos de confronto, forte presença midiática e mobilização de uma base eleitoral conservadora.

Obama consolidou sua imagem pública por meio de discursos de esperança, mobilização popular e apelos à unidade nacional.

Em 2028, a diferença de idade entre os dois seria expressiva: Trump teria 82 anos, enquanto Obama estaria com 67.

As pesquisas atuais demonstram o desgaste de Trump no exercício da Presidência. Já a popularidade histórica de Obama ajuda a explicar por que seu nome continua sendo utilizado em manifestações simbólicas e provocações políticas.

É nesse contexto que surge uma comparação automobilística carregada de ironia.

Imaginar Trump e Obama frente a frente nas urnas seria, para os admiradores do ex-presidente democrata, como colocar uma Ferrari e um Fusca lado a lado na linha de largada de um autódromo.

Na metáfora, Obama estaria ao volante da Ferrari, simbolizando seu carisma e sua capacidade histórica de mobilização. Trump apareceria dirigindo o Fusca, numa referência satírica ao desgaste de sua imagem nas pesquisas recentes.

É uma comparação bem-humorada, evidentemente, e não uma previsão eleitoral. Popularidade pessoal, aprovação de governo e intenção de voto são indicadores diferentes, que não determinam antecipadamente o resultado de uma eleição.

Além disso, nenhum dos dois está constitucionalmente habilitado a disputar um terceiro mandato presidencial pelas regras atuais.

2028: UMA DISPUTA IMAGINÁRIA QUE LEVANTA UMA QUESTÃO REAL

A possibilidade de uma disputa presidencial entre Donald Trump e Barack Obama em 2028 pertence, neste momento, ao terreno das hipóteses políticas e da sátira.

Mas o debate provocado pelas camisetas ultrapassa a rivalidade entre republicanos e democratas.

A questão central é muito mais profunda: até onde um presidente pode ir em suas pretensões políticas sem ultrapassar os limites estabelecidos pela Constituição?

Os Estados Unidos construíram parte de sua tradição institucional sobre a alternância de poder, a separação entre os Poderes e o respeito às regras constitucionais.

As eleições legislativas de 3 de novembro serão um importante termômetro da relação entre Donald Trump e o eleitorado americano.

Se os republicanos perderem espaço no Congresso, o presidente poderá enfrentar maiores obstáculos políticos durante a segunda metade de seu mandato. Se preservarem suas maiorias, terão condições de manter parte importante de sua agenda legislativa.

Enquanto isso, o nome de Barack Obama continua despertando lembranças de uma presidência que marcou a história americana.

E a frase estampada nas camisetas resume uma provocação que merece reflexão:

“OBAMA 2028 — SINCE RULES DON’T EXIST ANYMORE.”

“OBAMA 2028 — JÁ QUE AS REGRAS NÃO EXISTEM MAIS.”

No fim das contas, antes de imaginar uma corrida entre Ferrari e Fusca, existe uma regra que precisa ser respeitada por ambos os pilotos: a Constituição dos Estados Unidos.

Porque, numa democracia, as regras constitucionais não podem ser modificadas simplesmente para atender às ambições políticas de quem deseja permanecer no poder.

Carlos Magno
Jornalista — DRT/PA 2627

Associado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (SINJOR), à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e à Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).

Credenciado para a cobertura jornalística da visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, em março de 2011.