Projeto “Um lenço, mil histórias” oferece acolhimento a quem enfrenta o câncer

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“Saio deste encontro com o sentimento de ter compartilhado esperança. Muitas vezes, a angústia de receber o diagnóstico faz a gente pensar que é o fim”, disse Marilda Natal, participante do evento.

“Graças a Deus, estou aqui viva para contar a minha vitória para outras mulheres”, afirmou Creuzenir Messias dos Santos, de 66 anos. Moradora de Canaã dos Carajás há mais de três décadas, ela foi uma das 20 mulheres que participaram, no dia 29 de outubro, da roda de conversa do projeto “Um Lenço, Mil Histórias”, promovido pela Prefeitura de Canaã dos Carajás, por meio da Casa da Mulher, instituição que integra a Secretaria Municipal da Mulher e Juventude (Semmju).

A iniciativa da Casa da Mulher fortalece vínculos, contribui para reduzir o sentimento de isolamento e aproxima as participantes da rede de atendimento. O projeto reconhece que cada mulher tem sua própria maneira de vivenciar o câncer e o direito de expressar sentimentos, pedir ajuda e celebrar conquistas, sem a obrigação de demonstrar força o tempo todo.

O evento contou com a presença da secretária municipal da Mulher e Juventude, Maria Pereira, que deu as boas-vindas às participantes com mensagens de apoio às mulheres e à causa oncológica.

Creuzenir relembrou o período em que morava na zona rural e percebeu um nódulo na região da mama esquerda. Enfrentou dificuldades para buscar atendimento, mas, com a ajuda do irmão, encontrou um médico em Marabá que a encaminhou para uma cirurgia de retirada do nódulo em Belém. Cerca de 15 dias depois, recebeu a confirmação do câncer. “Para mim, foi uma aflição. Não dormi naquela noite. Achei que eu não ia resistir”, relembrou.

Ao compartilhar sua história, ela recordou a insegurança provocada pelo diagnóstico e expressou gratidão por ter atravessado o tratamento. Hoje, celebra a vida.

Fotografia: Diego Barbosa

Outro relato de impacto durante a roda de conversa foi o da secretária municipal de Finanças, Marilda Natal, convidada para o evento. Ela compartilhou a experiência de enfrentar o câncer tanto ao acompanhar a filha quanto ao receber o próprio diagnóstico.

A filha teve câncer de mama aos 36 anos e, segundo Marilda, hoje está curada e mantém o acompanhamento médico. Marilda foi diagnosticada há dois anos com câncer de orofaringe, na região da garganta.

Ao recordar o medo e as dificuldades desse percurso, ela descreveu o tratamento como um processo doloroso e destacou a importância dos cuidados médicos e o papel da fé em sua trajetória. “O câncer esteve em mim, mas ele nunca me pertenceu.”, afirmou Marilda, que encontra na espiritualidade uma fonte de apoio para atravessar os momentos difíceis.

“Saio deste encontro com o sentimento de ter compartilhado esperança. Muitas vezes, a angústia de receber o diagnóstico faz a gente pensar que é o fim. Ao contar a minha experiência e a da minha filha, quis transmitir a esperança de que esse momento difícil possa passar e de que, lá na frente, possamos dar o nosso brado de vitória.”, acrescentou.

Fotografia: Diego Barbosa

Dinâmicas

A coordenadora da Casa da Mulher, Soraya Sousa, explicou que a dinâmica “Fio Invisível”, realizada com as mulheres, teve como objetivo mostrar que os laços que unem as pessoas nem sempre são percebidos, mas estão presentes no apoio, na fé e nos propósitos compartilhados.

“A intenção foi reforçar que essas mulheres estão ligadas umas às outras e à Casa da Mulher, mesmo quando não percebem essa conexão. Queríamos destacar a importância de estarmos juntas e de elas saberem que podem contar com esse acolhimento durante os momentos difíceis.”, esclareceu.

Outra dinâmica realizada foi “A minha metade está por aí”, que destacou a importância do apoio mútuo entre as mulheres. A proposta foi mostrar que, embora cada participante tenha uma experiência diferente com o câncer, elas podem compartilhar suas vivências, acolher umas às outras e construir laços de solidariedade durante o enfrentamento da doença.

Fotografia: Diego Barbosa

Autocuidado

Durante o encontro, a psicóloga da Casa da Mulher, Dilma Raychtock, destacou a importância do autocuidado para a saúde e o bem-estar das mulheres. A profissional explicou que essa prática envolve atenção à saúde, hábitos cotidianos e reflexão pessoal, contemplando as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual.

Ao apresentar o autocuidado como uma responsabilidade afetiva, a psicóloga incentivou as participantes a dedicarem atenção a si mesmas. “Olhe para si com olhos de amor, pratique o autocuidado.”, orientou.