MPPA participa das atividades do III Encontro de Cultura Warao

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Na quarta-feira (4), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Patrimônio Cultural e Habitação e Urbanismo de Belém, participou do primeiro dia de atividades do III Encontro de Cultura Warao.

O evento é organizado pelo Conselho Warao Ojiduna (CWO), organização representativa do povo indígena Warao, e tem como objetivo o fortalecimento, a celebração e o resgate da cultura indígena Warao do Estado do Pará, buscando valorizar origens, tradições, saberes e manifestações culturais, em especial no contexto de refúgio vivenciado por esse povo originário.

A abertura e atividades foram realizadas na sede Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Diocese da Amazônia, em Belém. O encontro prossegue até o dia 6 de novembro.

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A programação foi dividida entre manhã e tarde, das 9h às 17h, e proporcionou a integração entre famílias indígenas, instituições públicas, organizações parceiras, apoiadores e a sociedade civil, em um espaço de troca, compartilhamento, respeito, intercâmbio de conhecimentos tradicionais e de fortalecimento da identidade cultural Warao.

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Um dos destaques do encontro foi o lançamento do documento Karata Janoko Isia Obonoya Kotai: “Perspectivas Warao sobre Moradia Digna”, que tem por objetivo subsidiar o Poder Público na formulação de políticas públicas que considerem as prioridades e necessidades do povo Warao para a garantia do direito à moradia digna, a partir das perspectivas apresentada pela própria comunidade indígena.

O documento é fruto do projeto “Moradia Warao: Refúgio com Dignidade” desenvolvido pelo Ministério Público do Estado (MPPA), em parceria com o  Conselho Warao Ojiduna (CWO), organização representativa do povo indígena Warao, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB,  também responsáveis pela construção do evento.

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Segundo o promotor de Justiça Raimundo Moraes, o documento foi elaborado para divulgar a iniciativa e facilitar a compreensão do público sobre a luta pelo acesso ao território e à moradia digna através das políticas públicas.

“Estes encontros mobilizam toda a comunidade, funcionando como uma verdadeira reenergização. Este material tem como objetivo a distribuição interna e externa, permitindo que o público compreenda rapidamente a iniciativa, cujo foco é a busca pelo acesso ao território e à moradia digna por meio de políticas públicas.

Trata-se de uma etnia amplamente distribuída no território nacional, que enriquece a nossa nacionalidade com mais uma língua, outra cultura e um novo capítulo da nossa diversidade”, disse.

O material também resgata a história, a cultura e a espiritualidade do povo Warao, dialogando com o contexto atual, onde muitos já constituíram famílias e sepultaram seus entes, estabelecendo profundos laços com o território.

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Clémentine Marechal, analista socioambiental e antropóloga do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), comenta que o documento apresentado representa a continuação de uma série de oficinas realizadas com o povo Warao anteriormente.

“Em outubro do ano passado, iniciamos um ciclo de oficinas com o povo Warao para fomentar a reflexão sobre sua trajetória, as mudanças entre o modo de vida na Venezuela e no Brasil, e a definição coletiva do conceito de moradia digna. Posteriormente, sistematizamos os resultados dessas oficinas na elaboração do documento Perspectivas Warao sobre Moradia Digna”.

A especialista também destaca a importância do documento para a formulação de políticas públicas que não apenas ajude os povos indígenas, mas que reflitam sobre a verdadeira realidade das comunidades.

”Trata-se de um processo de reterritorialização e de enraizamento em Belém, marcado pelo desejo de aproximação com a floresta e, em especial, com a palmeira de miriti, considerada a árvore da vida. O objetivo do evento de hoje é a apresentação desse documento, concebido para atuar como um guia orientador de políticas públicas.

A proposta é que as instâncias governamentais se apropriem do documento para compreender as necessidades específicas dos Warao, viabilizando duas frentes fundamentais: o acesso às políticas habitacionais existentes e a adaptação dessas políticas à realidade e às particularidades culturais desse povo.”

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Freddy Cardona é vice-coordenador do Conselho Warao Odijuna e afirma que a luta dos povos indígenas é uma luta para que as próximas gerações possam viver bem e continuem lutando.

“Não queremos perder essa luta, queremos ir em frente, para que as crianças nascidas aqui tenham reconhecimento e sigam lutando para ter a oportunidade de ter um território próprio e que possam viver como povo indígena. Eu falo isso porque nós queremos ser respeitados como indígenas brasileiros e não como povo estrangeiro.

Por isso estamos fazendo esse terceiro encontro e mostrando isso para a população, as associações, as organizações e os ministérios que vem acompanhando a gente para seguirmos adiante e sermos reconhecidos. Estamos aí lutando para sermos reconhecidos, porque não querem nos reconhecer como povo indigena, não querem nos reconhecer como seres humanos, porque eles não nos vêem”.

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Para a integrante da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Mary Joyce Rocha, o apoio às lutas dos povos indígenas faz parte da missão da igreja em transformar estruturas injustas presentes na nossa sociedade.

“Os movimentos sociais, a luta por dignidade sempre foi uma atuação muito presente da igreja anglicana. Por isso abraçamos o convite para participar desse projeto específico com os Warao. Estamos dando o apoio financeiro, mas não só isso, porque há interesse muito grande da igreja participar das lutas sociais, em participar da inclusão, em lutar em favor dos imigrantes.

Por isso estamos aqui também como missão da igreja, que é justamente transformar as estruturas injustas da sociedade e entendemos que esse projeto é uma forma de atuarmos nessa transformação”.

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O III Encontro de Cultura Warao representa a colaboração e a sensibilidade das instituições e entidades que apoiam a luta e a garantia dos direitos do povo Warao, representando não apenas um passo importante para o reconhecimento dos povos indígenas indígenas do Brasil, mas também para o fortalecimento do diálogo institucional, da valorização cultural e das ações destinadas à promoção e garantia dos direitos do povo Warao.

O evento segue até o dia 6 de novembro.

5 e 6 de novembro — Usina da Paz do Benguí
Passagem Primeiro de Julho, 32, Benguí, Belém.
Das 8h às 17h: apresentações culturais, jogos esportivos entre comunidades, artesanato e culinária tradicional Warao.


Texto: Álvaro Amaral – Ascom/MPPA
Fotos: Juliane Frazão  (Ascom IEB)