Casas de Jornalistas do Pará são alvos de busca e apreensão

Como ficou a casa de Ronaldo Brasiliense, após três horas de busca e apreensão da Polícia Civil do Pará Como ficou a casa de Ronaldo Brasiliense, após três horas de busca e apreensão da Polícia Civil do Pará

O caso teve início na última terça-feira, 16, em Óbidos no interior do Pará quando policiais civis entraram na residência do jornalista Ronaldo Brasiliense cumprindo um mandado de busca e apreensão, determinado pelo juiz Heyder Tavares da Silva Ferreira, da Primeira Vara de Inquéritos Policiais e Medidas Cautelares de Belém, a 800 km do local.

Durante a revista foi apreendido instrumentos de trabalho do jornalista, sendo lap top Dell e um outro lap top HP, sem uso há vários anos e um parelho de telefone celular Motorola, também apreenderam 128 exemplares da revista “Pará em Foco”, que traz na capa uma foto do governador, quando ele estava em campanha, em 2018, e a manchete: “Helder cai na Lava Jato”.  

O jornalista Ronaldo Brasiliense, vem denunciando através de matérias as compras e contratos com suspeitas de superfaturamento e fraude, por parte do governo do estado. Um desses contratos para compra de respiradores motivou a operação Para Bellum, da Polícia Federal, em que a casa do governador e o palácio do governo foram alvo de busca e apreensão. Outras denúncias também foram feitas pelo jornalista na época da campanha para eleger governador do estado, e diante de todo o ocorrido ele acredita que pode estar sofrendo perseguição política.

Ronaldo Brasiliense tem mais de 40 anos de profissão, e é o mais premiado da Amazônia neste século, segundo o ranking nacional do Portal dos Jornalistas Brasileiros (Jornalistas e Cia). Detentor de dois Prêmios Esso – o mais importante da imprensa brasileira -, e duas vezes vencedor do Prêmio AMB. Também ganhou prêmios da Embratel, Petrobras, Abril, Aimex e muitos outros, sempre na linha de frente no combate à corrupção nos governos, em defesa dos direitos humanos, do meio ambiente da Amazônia.

No mesmo dia o jornalista Orly Bezerra também foi surpreendido com uma investida da Polícia Civil em sua residência, para cumprir mandado de busca e apreensão em um inquérito em que, somente mais tarde, se soube que seria sobre investigação de fake news. Os policiais chegaram à residência de Orly Bezerra às 6 horas e fizeram a mesma operação na agência Griffo, também de sua propriedade.

Em nota oficial o Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor/PA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) se manifestaram em apoio aos profissionais de imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor/PA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vêm a público afirmar que o combate à propagação de notícias falsas é absolutamente necessário diante da conjuntura nacional. Porém, a atuação dos agentes públicos não pode resultar em ações arbitrárias e tampouco no uso político das forças de segurança estaduais contra jornalistas.

Na terça-feira, 16, os jornalistas Orly Bezerra e Ronaldo Brasiliense foram surpreendidos com uma investida da Polícia Civil em suas residências, para cumprir mandado de busca e apreensão em um inquérito em que, somente mais tarde, se soube que seria sobre investigação de fake news. Os policiais chegaram à residência de Orly Bezerra às 6 horas e fizeram a mesma operação na agência Griffo, também de sua propriedade.

Às 15 horas, a Polícia Civil de Santarém fez a mesma busca na casa de Ronaldo Brasiliense, no município de Óbidos, no oeste paraense. Em ambos os casos, os policiais levaram equipamentos – celulares e computadores -, contendo os acervos de trabalho dos dois profissionais, além de documentos.

O combate às fake news é legítimo e preciso. Porém não pode representar censura, ou intimidação, aos profissionais da comunicação no exercício de sua missão de informar à sociedade, com ética e responsabilidade social. (Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará / Federação Nacional dos Jornalistas )

Da redação com informações de San Diego

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