Governo Federal alerta Região Norte para efeitos de El Niño e reforça medidas de preparação para período crítico

Previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas coloca segurança hídrica, navegabilidade, abastecimento, saúde e prevenção de incêndios entre as prioridades O Governo Federal

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Previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas coloca segurança hídrica, navegabilidade, abastecimento, saúde e prevenção de incêndios entre as prioridades

O Governo Federal reforçou a necessidade de preparação dos estados e municípios da Região Norte diante da previsão de intensificação dos efeitos do fenômeno El Niño nos próximos meses. O alerta foi apresentado durante a segunda reunião regional dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, realizada na última quinta-feira (27), com a participação de gestores estaduais e municipais.

O Carajás O Jornal acompanhou a reunião, representado pela redatora Jordania Peixoto, que esteve presente durante a apresentação das informações e medidas anunciadas pelo Governo Federal para a Região Norte.

De acordo com os cenários apresentados durante o encontro, o atual episódio de El Niño tende a atingir intensidade “muito forte” entre setembro e novembro. Para a Região Norte, a previsão indica períodos de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, cenário que pode comprometer a disponibilidade de água, a produção, a navegabilidade dos rios e o acesso a comunidades, além de elevar o risco de incêndios florestais.

A reunião foi coordenada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e contou com a participação de representantes de diferentes áreas do Governo Federal. O objetivo foi apresentar os cenários climáticos, as medidas de preparação e resposta já adotadas pela União e os mecanismos disponíveis para que estados e municípios possam se antecipar aos possíveis impactos.

Investimentos em segurança hídrica

Entre as principais preocupações está a segurança hídrica. Segundo os dados apresentados, estão previstos R$ 582 milhões em investimentos na Região Norte, por meio do Novo PAC e do Fundo Amazônia.

Do total, R$ 181 milhões serão destinados a ações de água rural, R$ 330 milhões à implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões a soluções de acesso à água para aldeias indígenas.

Entre as alternativas estão sistemas de captação de água da chuva, estruturas comunitárias de abastecimento, captação de fontes superficiais e subterrâneas, tratamento e distribuição de água e utilização de energia solar para bombeamento.

Nível dos rios preocupa

A redução do nível dos rios também está entre os pontos de atenção. A possibilidade de períodos de estiagem mais intensos pode afetar o transporte de passageiros e cargas e dificultar o acesso a comunidades que dependem da navegação.

Para a manutenção da navegabilidade, o Governo Federal informou investimentos de R$ 173 milhões em dragagens realizadas entre 2023 e 2026, dentro do Novo PAC, nos rios Solimões, Madeira, Amazonas e Tapajós.

Também foram anunciados R$ 1,6 bilhão para ações de prevenção de desastres provocados por chuvas intensas na Região Norte, sendo R$ 1,5 bilhão para drenagem urbana e R$ 100 milhões para contenção de encostas.

Abastecimento e saúde entram no planejamento

O planejamento federal também prevê medidas para garantir o abastecimento de populações vulneráveis. Está prevista a antecipação da entrega de 160 mil cestas de alimentos destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares, além da ampliação do atendimento com outras 350 mil cestas.

O Governo Federal também informou que acompanha os estoques de gás de cozinha, óleo diesel e outros combustíveis, com possibilidade de acionamento de planos de contingência caso as condições de navegabilidade comprometam o abastecimento.

Na área da saúde, três bases regionais da Força Nacional do SUS serão instaladas na Região Norte. A primeira será em Belém, em setembro, seguida por Manaus, em outubro, e Porto Velho, em novembro.

Também estão previstos dois Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), em Belém e Santarém, que deverão reunir dados sobre os impactos de eventos climáticos, como ondas de calor, estiagens, secas e incêndios florestais, para subsidiar as ações do Sistema Único de Saúde.

Região Norte já registra mais de 1,6 milhão de hectares queimados

A prevenção e o combate aos incêndios florestais também estão entre as prioridades diante da possibilidade de temperaturas mais elevadas e períodos de menor precipitação.

Dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apontam que, entre 1º de janeiro e 23 de agosto de 2026, a Região Norte registrou 1.644.916 hectares de área queimada.

Apesar do número expressivo, o total representa uma redução de 33,7% em relação à média histórica registrada entre 2012 e 2025, que é de 2.480.155 hectares para o mesmo período.

Até o momento, o Governo Federal informou ter destinado R$ 521 milhões a estados e municípios para ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. A estrutura federal conta atualmente com 272 bases operacionais, 6.686 profissionais e 49 aeronaves, além de um avião destinado ao transporte de brigadistas.

Municípios são orientados a antecipar medidas

Durante o encontro, estados e municípios também receberam orientações para reduzir os riscos e melhorar a capacidade de resposta diante de possíveis eventos extremos.

Entre as recomendações estão a elaboração e atualização dos planos de contingência, mapeamento das áreas de risco, organização das equipes locais e integração entre Defesa Civil, Saúde, Infraestrutura, Assistência Social e Meio Ambiente.

Em situações de desastre, o reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública permite que estados e municípios solicitem recursos da União para ações de resposta e recuperação por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).

Na Região Norte, dados atualizados em 21 de agosto apontam 199 reconhecimentos federais de emergência em 2026, sendo 23 relacionados a secas e estiagens e 176 provocados por chuvas.

Monitoramento será permanente

A preparação para os possíveis impactos do El Niño deverá continuar sendo acompanhada pelo Governo Federal, com integração das informações produzidas pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento climático e pela prevenção de desastres.

A Sala de Situação do El Niño reúne dados dos diferentes órgãos federais para acompanhar a evolução dos cenários e orientar a atuação conjunta. Segundo o Governo Federal, as medidas poderão ser ajustadas de acordo com a evolução das condições climáticas.

Para a Região Norte, o período entre setembro e novembro será especialmente importante, diante da previsão de maior intensidade do fenômeno e dos possíveis reflexos sobre recursos hídricos, transporte, abastecimento, saúde e incêndios florestais.

Fonte: Da Redação | Por Jordania Peixoto