Depois de vencer por 1 a 0 na Bombonera, em Buenos Aires, o Vasco da Gama entrou em campo com a vantagem, o apoio de uma multidão e a esperança de voltar a disputar uma final continental após 26 anos. Mas a noite de terça-feira, 20 de outubro, terminou em decepção, vaias e tristeza. Com uma atuação marcada por falhas defensivas, o Cruz-Maltino perdeu por 3 a 1 para o Boca Juniors, em pleno Maracanã, e foi eliminado da Copa Sul-Americana de 2026. A festa preparada pela torcida brasileira acabou sendo dos argentinos.
UMA NOITE QUE PROMETIA SER HISTÓRICA TERMINOU EM DESILUSÃO
O futebol tem dessas coisas. É capaz de transformar a esperança de milhares de torcedores em uma explosão de alegria, mas também pode converter sonhos em lágrimas, frustração e silêncio.
Foi exatamente isso que aconteceu na noite desta terça-feira (20), no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
O Vasco da Gama, um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, tinha praticamente todos os ingredientes para protagonizar uma noite histórica: jogava em casa, havia vencido o Boca Juniors por 1 a 0 na partida de ida, disputada no lendário estádio La Bombonera, em Buenos Aires, e contava com o apoio incondicional de sua apaixonada torcida.
Nada menos que 66.023 torcedores compareceram ao Maracanã para acompanhar a partida decisiva. Muitos chegaram ao estádio horas antes, vestidos com a tradicional camisa cruz-maltina, carregando bandeiras, faixas e uma esperança que parecia não caber nas arquibancadas.
O ambiente era de decisão. O Maracanã estava preparado para uma festa inesquecível.
Entretanto, quando o árbitro venezuelano Jesús Valenzuela encerrou a partida, a realidade era cruel: Vasco 1, Boca Juniors 3.
O placar agregado de 3 a 2 classificou o clube argentino para a grande final da Copa Sul-Americana e encerrou o sonho vascaíno de voltar a conquistar um título internacional.
A derrota também prolongou uma espera que já dura 26 anos desde a histórica conquista da Copa Mercosul, em 2000.
O PRIMEIRO GOL FOI UM BALDE DE ÁGUA FRIA
O relógio marcava apenas quatro minutos do primeiro tempo quando o Boca Juniors mostrou que não havia viajado ao Rio de Janeiro para participar da festa vascaína.
Após cobrança de escanteio de Lautaro Blanco, o zagueiro Lautaro Di Lollo apareceu na área e marcou de cabeça, abrindo o placar para os argentinos.
O gol precoce mudou completamente o ambiente da partida.
O Vasco, que havia entrado em campo com a vantagem do empate, passou a demonstrar nervosismo, dificuldades de organização e pouca criatividade ofensiva.
A torcida ainda tentou empurrar o time, mas o Boca, experiente em decisões internacionais, soube administrar o resultado e explorar as fragilidades defensivas do adversário.
Aos 34 minutos, veio o segundo golpe.
Após uma falha do zagueiro Alan Saldivia, Sebastián Villa aproveitou a oportunidade e encontrou Miguel Merentiel, que ampliou para 2 a 0.
O Maracanã, que minutos antes pulsava de entusiasmo, foi tomado pela apreensão.
Ao término do primeiro tempo, os jogadores vascaínos deixaram o gramado sob vaias de parte da torcida.
O sonho da classificação começava a escapar.
PUMA RODRÍGUEZ DEVOLVE A ESPERANÇA, MAS PAREDES DECRETA A ELIMINAÇÃO
Na volta do intervalo, o Vasco apresentou uma postura mais ofensiva.
O técnico Pedro Emanuel promoveu alterações, buscando dar velocidade e maior presença ofensiva à equipe.
O time passou a pressionar o Boca Juniors, enquanto os argentinos procuravam administrar a vantagem conquistada na primeira etapa.
Aos 21 minutos do segundo tempo, a esperança ressurgiu.
Depois de um cruzamento de Cuiabano e de uma bola mal afastada pela defesa argentina, Puma Rodríguez aproveitou a sobra e finalizou de primeira, diminuindo para 2 a 1.
O gol incendiou novamente o Maracanã.
Naquele momento, o placar agregado estava empatado em 2 a 2, resultado que levaria a decisão para os pênaltis.
A torcida voltou a acreditar.
Mas o futebol reservava mais um capítulo doloroso para os vascaínos.
Aos 43 minutos, o experiente Leandro Paredes, campeão mundial pela Argentina em 2022, arriscou um chute de longa distância. A bola ganhou efeito, e o goleiro Léo Jardim falhou na tentativa de defesa.
Era o terceiro gol do Boca Juniors.
O gol que decretava a eliminação.
O gol que transformava a esperança em tristeza.
A festa argentina começava justamente no estádio onde os vascaínos imaginavam celebrar a classificação.
Para os milhares de torcedores que compareceram ao Maracanã, restou o sentimento amargo de uma oportunidade desperdiçada.
BOCA JUNIORS TRANSFORMA O RIO DE JANEIRO EM UMA EXTENSÃO DE BUENOS AIRES
A presença do Boca Juniors no Rio de Janeiro foi um espetáculo à parte.
Nos dois dias que antecederam a semifinal, torcedores argentinos tomaram conta de diferentes pontos turísticos da capital fluminense, especialmente das praias da Zona Sul.
Em Copacabana, bandeiras azuis e amarelas, camisas do Boca e cânticos tradicionais do futebol argentino chamaram a atenção de cariocas e turistas.
Bares, restaurantes e espaços de convivência receberam grupos de torcedores que viajaram da Argentina especialmente para acompanhar a partida.
A paixão dos argentinos pelo Boca Juniors é conhecida internacionalmente. A torcida acompanha o clube em diferentes países e costuma transformar as viagens internacionais em grandes manifestações de identidade e pertencimento.
Apesar da rivalidade entre brasileiros e argentinos, os relatos disponíveis sobre as manifestações de torcedores em Copacabana destacaram o ambiente festivo e a ausência de confrontos naquele momento. Não há, contudo, um levantamento conclusivo que permita afirmar que nenhum incidente grave ocorreu durante toda a permanência das torcidas na cidade.
FOGUETÓRIO NA MADRUGADA: VASCAÍNOS TENTARAM ATRAPALHAR O DESCANSO DOS ARGENTINOS
A delegação do Boca Juniors estabeleceu sua base de hospedagem no Hotel Windows, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Na madrugada de terça-feira (20), um episódio chamou a atenção.
Torcedores vascaínos foram até as proximidades do hotel e promoveram um intenso foguetório, numa tentativa de interromper o descanso dos jogadores argentinos.
O barulho dos fogos de artifício rompeu o silêncio da madrugada.
Mesmo com o isolamento acústico do estabelecimento, o foguetório teria sido perceptível no interior do hotel.
A intenção era evidente: criar um ambiente de pressão psicológica sobre os adversários antes da decisão.
Entretanto, o resultado em campo demonstrou que a estratégia não produziu o efeito desejado.
O Boca Juniors entrou no Maracanã concentrado, competitivo e determinado a reverter a vantagem vascaína.
BOCA TREINOU NO NINHO DO URUBU, CENTRO DE TREINAMENTO DO FLAMENGO
Outro episódio que chamou a atenção durante a preparação dos argentinos foi a escolha do local para os treinamentos.
O Boca Juniors utilizou as instalações do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Clube de Regatas do Flamengo, um dos maiores rivais históricos do Vasco da Gama.
A escolha acrescentou um ingrediente especial à rivalidade que cercava a semifinal.
Nas instalações rubro-negras, o técnico Rodolfo Arruabarrena comandou atividades destinadas a preparar sua equipe para o confronto decisivo.
O treinador recebeu boas notícias durante a preparação, especialmente com a recuperação de jogadores importantes, entre eles Leandro Paredes, Sebastián Villa e Alan Velasco.
Paredes, que havia enfrentado um problema muscular, conseguiu reunir condições de jogo e acabou se transformando em um dos protagonistas da classificação argentina.
Foi justamente dele o terceiro gol, responsável por sepultar definitivamente as esperanças vascaínas.
A utilização do centro de treinamento do Flamengo não permite concluir que tenha existido qualquer participação esportiva do clube carioca na eliminação do Vasco. Tratou-se de uma estrutura utilizada para a preparação da delegação visitante.
O DIA JÁ HAVIA COMEÇADO COM UMA NOTÍCIA PREOCUPANTE: PEDRINHO FOI INTERNADO
Antes mesmo de a bola rolar no Maracanã, uma notícia preocupante abalou os bastidores de São Januário.
O presidente do Vasco da Gama, Pedrinho, foi internado nesta terça-feira (20), em um hospital da Zona Oeste do Rio de Janeiro, após apresentar um quadro de celulite facial.
Trata-se de uma infecção bacteriana que atinge os tecidos da face e pode provocar inchaço, vermelhidão e outros sintomas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa esportiva, o estado de saúde do dirigente era considerado estável.
A internação impediu Pedrinho de acompanhar presencialmente uma das partidas mais importantes da temporada vascaína.
Para um dirigente identificado com a história do clube, ex-jogador e torcedor apaixonado, a ausência ocorreu justamente numa noite em que o Vasco buscava uma classificação histórica.
A preocupação com a saúde do presidente antecedeu a tristeza que tomaria conta do Maracanã algumas horas depois.
Naturalmente, não existe relação causal entre a internação do dirigente e o resultado da partida. Mas a coincidência dos acontecimentos contribuiu para tornar aquele 20 de outubro especialmente difícil para os vascaínos.
UMA RIVALIDADE INTERNACIONAL QUE ATRAVESSA GERAÇÕES
O confronto entre Vasco da Gama e Boca Juniors reúne dois clubes de enorme tradição no futebol sul-americano.
O Vasco construiu sua história com conquistas nacionais e internacionais, entre elas a Copa Libertadores de 1998 e a Copa Mercosul de 2000.
O Boca Juniors, por sua vez, possui uma das trajetórias mais vitoriosas do continente, com seis títulos da Libertadores e uma torcida reconhecida mundialmente pela paixão.
Os confrontos entre os clubes remontam à década de 1950, quando o Vasco contava com o lendário Expresso da Vitória, uma das equipes mais importantes de sua história.
Antes da semifinal de 2026, o retrospecto histórico divulgado apontava vantagem argentina: em 15 encontros, o Boca acumulava seis vitórias, o Vasco duas e outros sete confrontos haviam terminado empatados.
A partida do Maracanã representou o 16º encontro entre os clubes e ampliou a vantagem dos argentinos.
Mas havia algo ainda mais importante em disputa: a oportunidade de chegar a uma decisão continental.
O Vasco procurava encerrar um jejum de 26 anos sem disputar uma final internacional. O Boca buscava acrescentar mais um capítulo à sua extensa história de decisões sul-americanas.
Desta vez, prevaleceram a experiência e a eficiência dos argentinos.
SBT VALORIZOU A DECISÃO COM AMPLA COBERTURA E EQUIPE EXPERIENTE
A transmissão da partida pelo SBT merece destaque especial.
A emissora mobilizou sua estrutura esportiva para levar aos telespectadores as emoções de uma semifinal continental que reunia duas das maiores torcidas da América do Sul.
A narração ficou sob responsabilidade de Tiago Leifert, acompanhado pelo experiente comentarista Mauro Beting, pela especialista em arbitragem Nadine Bastos e pelo repórter Flavio Winicki, responsável pelas informações diretamente do Maracanã.
Mesmo com a limitação vocal percebida na narração de Leifert, a equipe realizou um trabalho que merece reconhecimento pela qualidade das análises, pela contextualização dos acontecimentos e pelo acompanhamento da partida.
Mauro Beting acrescentou conhecimento histórico e tático à transmissão, enquanto Nadine Bastos contribuiu com explicações sobre as decisões da arbitragem.
A cobertura também se estendeu às plataformas digitais, com programação especial no YouTube do SBT Sports, incluindo pré-jogo, transmissão alternativa e análises posteriores ao confronto.
A DISPUTA PELA AUDIÊNCIA ENTRE SBT E TV GLOBO
A semifinal também evidenciou a importância do futebol na disputa pela audiência da televisão brasileira.
Na partida de ida, realizada em 13 de outubro, quando o Vasco venceu o Boca Juniors por 1 a 0, o SBT alcançou resultados expressivos.
No Rio de Janeiro, a transmissão registrou média de 9,3 pontos e participação de 27% dos televisores ligados, chegando a superar a TV Globo durante 14 minutos não consecutivos.
O resultado demonstrou a capacidade de mobilização da torcida vascaína e o potencial comercial das transmissões de competições internacionais.
No jogo de volta, a expectativa de audiência era novamente elevada, especialmente pelo caráter decisivo da partida e pela presença de mais de 66 mil torcedores no Maracanã.
Entretanto, até a conclusão desta reportagem, não havia sido confirmado um levantamento consolidado de audiência da transmissão de terça-feira (20). Por isso, não seria correto atribuir números ou posições no ranking sem os respectivos dados.
E a postura da TV Globo?
A cobertura da TV Globo também merece uma análise sob a perspectiva editorial.
A transmissão exclusiva de uma partida por uma emissora concorrente não elimina sua relevância jornalística. Uma semifinal continental envolvendo Vasco da Gama e Boca Juniors, com o Maracanã lotado, possui interesse público esportivo independentemente de quem detenha os direitos de transmissão.
A ausência ou a pouca visibilidade de um acontecimento dessa dimensão em determinados telejornais pode, legitimamente, ser questionada.
Contudo, é necessário distinguir crítica editorial de afirmação factual: não é possível afirmar que a Globo tenha ignorado completamente o confronto, uma vez que o portal ge, pertencente ao Grupo Globo, publicou matérias sobre a partida, a preparação dos clubes e até o foguetório promovido pelos vascaínos.
Também não há elementos suficientes para concluir que eventuais decisões de programação tenham sido motivadas pelo receio da audiência do SBT.
O debate que permanece é relevante: até que ponto a concorrência comercial entre emissoras influencia o espaço destinado aos grandes acontecimentos esportivos?
O jornalismo esportivo deve informar sobre fatos relevantes, inclusive quando os direitos de transmissão pertencem a empresas concorrentes.
ESCALAÇÕES, ARBITRAGEM E FICHA TÉCNICA DA PARTIDA
COPA SUL-AMERICANA 2026 — SEMIFINAL — JOGO DE VOLTA
VASCO DA GAMA 1 × 3 BOCA JUNIORS
Data: terça-feira, 20 de outubro de 2026.
Horário: 21h30 (horário de Brasília).
Estádio: Jornalista Mário Filho (Maracanã), Rio de Janeiro (RJ).
Público: 66.023 torcedores.
Renda: R$ 6.962.208,50.
Jogo de ida: Boca Juniors 0 × 1 Vasco da Gama.
Placar agregado: Boca Juniors 3 × 2 Vasco da Gama.
Classificado para a final: Boca Juniors, da Argentina.
VASCO DA GAMA — 1
Técnico: Pedro Emanuel.
Escalação titular: Léo Jardim; Paulo Henrique, Alan Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Santiago Sosa, Thiago Mendes e Alan Lescano; Adson, Bruno Duarte e David.
Substituições:
– Paulo Henrique saiu para a entrada de Puma Rodríguez.
– Alan Lescano saiu para a entrada de Claudio Spinelli.
– Adson saiu para a entrada de Marino Hinestroza.
– David saiu para a entrada de Brenner.
Gol: Puma Rodríguez, aos 21 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo: Thiago Mendes.
BOCA JUNIORS — 3
Técnico:Rodolfo Arruabarrena.
Escalação titular: Álvaro Montero; Leandro Lozano, Lautaro Di Lollo, Facundo Herrera e Lautaro Blanco; Santiago Ascacíbar, Rodrigo Battaglia e Milton Delgado; Leonel Flores, Sebastián Villa e Miguel Merentiel.
Substituições:
– Rodrigo Battaglia saiu para a entrada de Leandro Paredes.
– Leonel Flores saiu para a entrada de Alan Velasco.
– Sebastián Villa saiu para a entrada de Ayrton Costa.
– Miguel Merentiel saiu para a entrada de Enner Valencia.
Gols: Lautaro Di Lollo, aos 4 minutos do primeiro tempo; Miguel Merentiel, aos 34 minutos do primeiro tempo; Leandro Paredes, aos 43 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Leandro Paredes e Alan Velasco.
QUARTETO DE ARBITRAGEM E VAR
Árbitro principal: Jesús Valenzuela (Venezuela).
Assistente 1: Jorge Urrego (Venezuela).
Assistente 2:Tulio Moreno (Venezuela).
Quarto árbitro: Yender Herrera (Venezuela).
Árbitro de vídeo
(VAR):Juan Soto (Venezuela).
CRONOLOGIA DOS GOLS
4 minutos do primeiro tempo — Vasco 0 × 1 Boca Juniors
Lautaro Di Lollo (Boca Juniors): após cobrança de escanteio de Lautaro Blanco, o zagueiro apareceu na área e marcou de cabeça.
34 minutos do primeiro tempo — Vasco 0 × 2 Boca Juniors
Miguel Merentiel (Boca Juniors):após falha defensiva do Vasco, Sebastián Villa encontrou Merentiel, que ampliou a vantagem argentina.
21 minutos do segundo tempo — Vasco 1 × 2 Boca Juniors
Puma Rodríguez (Vasco da Gama): após cruzamento de Cuiabano e afastamento incompleto da defesa argentina, Puma Rodríguez aproveitou a sobra e finalizou de primeira.
43 minutos do segundo tempo — Vasco 1 × 3 Boca Juniors
Leandro Paredes (Boca Juniors): o meio-campista argentino arriscou um chute de longa distância. Léo Jardim falhou na defesa, e o terceiro gol confirmou a classificação do Boca Juniors.
BOCA JUNIORS AGUARDA SEU ADVERSÁRIO NA GRANDE FINAL
Com a classificação conquistada no Maracanã, o Boca Juniors garantiu presença na decisão da Copa Sul-Americana de 2026.
Seu adversário sairá da outra semifinal, disputada entre Atlético Mineiro e Montevideo City Torque, do Uruguai.
O clube mineiro venceu a primeira partida por 3 a 0 e chega ao confronto de volta com vantagem expressiva.
A decisão está prevista para Barranquilla, na Colômbia, em novembro.
Para o Vasco, resta reorganizar suas forças e concentrar as atenções nos compromissos nacionais.
O clube ainda disputa a Copa do Brasil, na qual enfrentará o Palmeiras pelas semifinais, mas também precisa reagir no Campeonato Brasileiro, onde vive situação delicada, próximo à zona de rebaixamento.
A derrota para o Boca Juniors representa, portanto, muito mais do que a perda de uma classificação.
É um alerta sobre as fragilidades de uma equipe que, apesar de contar com uma torcida extraordinária, não conseguiu corresponder à expectativa no momento mais importante da temporada internacional.
A TORCIDA FEZ SUA PARTE. O VASCO, NÃO.
Ao final da partida, a imagem mais marcante não era apenas a comemoração dos jogadores argentinos.
Era a tristeza estampada nos rostos dos vascaínos.
Pais que levaram seus filhos ao Maracanã. Famílias inteiras que enfrentaram longas filas. Torcedores que viajaram de diferentes regiões do Brasil. Gente que gastou dinheiro, tempo e energia para acompanhar o clube do coração.
Todos alimentavam o mesmo sonho: ver o Vasco da Gama novamente em uma grande final continental.
A torcida compareceu, cantou, incentivou e transformou o Maracanã em um verdadeiro caldeirão.
Mas, dentro de campo, o Vasco não correspondeu.
O Boca Juniors foi mais eficiente, soube aproveitar os erros do adversário e demonstrou a personalidade necessária para vencer uma decisão fora de casa.
No futebol, nem sempre vence quem tem a torcida mais numerosa, o estádio mais bonito ou a festa mais emocionante.
Vence quem consegue transformar oportunidades em gols e administrar a pressão dos grandes confrontos.
E, na noite de 20 de outubro de 2026, foi exatamente isso que o Boca Juniors fez.
O Maracanã estava preparado para uma festa vascaína. Mas os argentinos foram os convidados que chegaram, silenciaram o estádio e levaram a classificação para Buenos Aires.
Para a torcida do Vasco, ficaram as lágrimas, a frustração e mais um capítulo doloroso de sua história recente.
Mas também permanece algo que nenhuma derrota consegue apagar: a paixão de milhões de torcedores por um clube que continua sendo um dos maiores símbolos do futebol brasileiro.
O Vasco perdeu a classificação. Sua torcida, mais uma vez, demonstrou que jamais abandona o clube.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627
Credenciado pela CONMEBOL.
Associado à Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Estado do Pará (ACLEP).



