Evento reuniu especialistas, municípios, cooperativas e instituições parceiras para debater soluções sustentáveis e inclusivas para a gestão de resíduos sólidos.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) promoveu, na terça-feira (10), a 1ª Jornada Municipal de Incentivo à Reciclagem e Economia Circular: O Pará no Caminho Circular.
O evento, realizado no Centro de Treinamento Semas Bosque, em Belém, reuniu representantes de cerca de 40 municípios, diversas cooperativas de catadores, instituições de pesquisa, setor produtivo e organizações da sociedade civil para debater estratégias voltadas ao fortalecimento da reciclagem, da logística reversa e da inclusão produtiva qualificada no Pará.
A abertura da Jornada destacou o papel da economia circular como instrumento para geração de trabalho e renda, redução dos impactos ambientais e fortalecimento da gestão de resíduos sólidos nos municípios paraenses. O momento reuniu representantes do Governo do Estado, especialistas e lideranças do setor da reciclagem para discutir os desafios e oportunidades da construção de uma agenda sustentável para o Pará.
Participaram da mesa de abertura o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos; a secretária municipal de Meio Ambiente de Belém (Semma), Juliana Nobre; a secretária executiva municipal de Zeladoria e Conservação Urbana de Belém (Sezel), Pamela Massoud; a coordenadora do Núcleo de Economia Circular e Políticas de Transição Justa (NUPE), Adriana Nunes; a diretora de Ordenamento, Educação e Descentralização da Gestão Ambiental (DIORED), Carla Lopes; e a representante da rede de cooperativas Concaves, Débora Baía.
O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, destacou que a economia circular é uma das agendas estratégicas para o futuro do Estado e deve ser construída de forma integrada entre governo, municípios, setor produtivo e trabalhadores da reciclagem.

“O Pará está construindo uma política de economia circular alinhada aos desafios ambientais e sociais da Amazônia. Não existe economia circular sem inclusão produtiva, sem valorização dos catadores e sem a participação dos municípios. Nosso objetivo é transformar resíduos em oportunidades, gerar trabalho e renda, fortalecer cooperativas e criar um modelo de desenvolvimento capaz de combinar sustentabilidade, justiça social e conservação ambiental”, afirmou.
A construção da Política Estadual de Economia Circular também foi um dos temas centrais da sessão de abertura. A coordenadora do Núcleo de Economia Circular e Políticas de Transição Justa (NUPE), Adriana Nunes, ressaltou que a transição para novos modelos de produção e consumo precisa reconhecer o papel histórico desempenhado pelos trabalhadores da reciclagem para que seja justa, sustentável e equitativa.
“A economia circular ainda é um conceito em construção no Brasil, mas já é uma realidade consolidada em diversas partes do mundo. No Pará, estamos trabalhando para que essa transição aconteça de forma justa e equitativa, reconhecendo o papel histórico dos catadores e catadoras, que sempre estiveram na base desse processo.
Quando esses trabalhadores são incluídos nas políticas públicas e nos mecanismos de remuneração da cadeia circular, fortalecemos a destinação adequada dos resíduos, contribuímos para a redução das emissões de carbono e ajudamos a conservar a biodiversidade amazônica”, explicou.
Representando a Diretoria de Ordenamento, Educação e Descentralização da Gestão Ambiental (DIORED), Carla Lopes destacou a importância da articulação entre municípios, cooperativas e instituições parceiras para fortalecer a implementação de políticas públicas voltadas à reciclagem e à gestão adequada dos resíduos.
“A Jornada foi pensada para aproximar os municípios, cooperativas, instituições e parceiros estratégicos em torno de soluções viáveis para a gestão dos resíduos sólidos. Nosso objetivo é fortalecer a capacidade local, ampliar a coleta seletiva e criar condições para que a reciclagem se consolide como uma política pública permanente nos municípios paraenses”, destacou.
Protagonismo dos catadores
A abertura destacou a participação das cooperativas e associações de catadores, reconhecidas como protagonistas na construção da economia circular. O debate reforçou a importância da inclusão produtiva qualificada e da participação ativa desses trabalhadores na formulação das políticas públicas voltadas à reciclagem.
Representando a rede de cooperativas Concaves, Débora Baía destacou que a atividade dos catadores evoluiu significativamente nos últimos anos, passando a incorporar funções técnicas ligadas à educação ambiental, triagem de materiais, operação de equipamentos e gestão de contratos.
“Por muito tempo no estado a gente buscou ter esse olhar de verdade de uma Secretaria de Meio Ambiente para nós, catadores e catadoras. Hoje, a equipe vai até nós, senta e escuta quais são as nossas reais necessidades. Isso é algo precioso, porque muitas vezes os investimentos vêm, mas as pessoas não querem nos ouvir.
Se chega um equipamento hoje, ele chega completo e pronto para funcionar porque houve planejamento conjunto. Nós somos a força que move a economia circular, e ver o Estado nos enxergar além da catação, como parceiros dessa transformação, é fundamental para o nosso futuro”, afirmou.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam palestras e painéis sobre gestão municipal de resíduos sólidos, logística reversa, inclusão produtiva de cooperativas de catadores, desafios da reciclagem nos municípios e oportunidades para ampliar a circularidade dos materiais. A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Pará com a construção de soluções sustentáveis que conciliem desenvolvimento econômico, inclusão social e conservação ambiental.
Por Arthur Sobral (SEMAS)
































