STF julga ação penal contra Eduardo Bolsonaro por suposta tentativa de interferência em processo sobre golpe de Estado

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (16) a Ação Penal (AP) 2782, que tem como réu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O ex-parlamentar é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coação no curso do processo, sob a alegação de ter atuado para influenciar o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros envolvidos por tentativa de golpe de Estado.

A sessão está marcada para as 14h e será realizada de forma presencial, com transmissão pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. O acesso da imprensa foi liberado, sem necessidade de credenciamento prévio.

Acusação aponta tentativa de pressionar autoridades

De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, Eduardo Bolsonaro teria realizado declarações públicas e publicações em redes sociais afirmando ter colaborado para que autoridades dos Estados Unidos adotassem sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o órgão, as manifestações teriam como objetivo constranger membros da Corte e influenciar o andamento da Ação Penal 2668, processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de ex-integrantes de seu governo.

A Procuradoria sustenta que existem diversos registros audiovisuais nos quais o ex-deputado relata articulações realizadas no exterior e faz referências a possíveis medidas internacionais contra autoridades brasileiras. Para a acusação, essas condutas configurariam uma tentativa de interferência no regular andamento do processo judicial.

Defesa questiona tramitação da ação

A defesa de Eduardo Bolsonaro está sendo realizada pela Defensoria Pública da União (DPU), uma vez que o ex-parlamentar não constituiu advogado nos autos.

Entre os argumentos apresentados, a DPU sustenta que o ministro Alexandre de Moraes não deveria participar do julgamento por ser uma das autoridades mencionadas nas supostas sanções internacionais citadas pela acusação. A defesa também questiona a forma de citação do réu, argumentando que o procedimento deveria ter sido realizado por meio de carta rogatória, instrumento utilizado para atos processuais em âmbito internacional.

No mérito da ação, a Defensoria afirma que as declarações atribuídas ao ex-deputado estão relacionadas ao debate político e à manifestação de opiniões sobre política externa e atuação do Poder Judiciário, sem a intenção de coagir magistrados ou interferir no julgamento de processos.

Processo chegou à fase final de julgamento

A denúncia contra Eduardo Bolsonaro foi recebida pela Primeira Turma do STF em novembro de 2025, quando ele passou oficialmente à condição de réu. Após a fase de instrução processual, com produção de provas e apresentação das alegações finais da acusação e da defesa, o processo foi liberado para julgamento.

Na última semana, a Defensoria Pública da União solicitou o adiamento da sessão e a convocação de um ministro da Segunda Turma para completar a composição do colegiado. O pedido foi negado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que destacou que o Regimento Interno do STF permite deliberações com a presença mínima de três ministros.

Como será a votação

A sessão será aberta com a leitura do relatório do processo pelo ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, representantes da Procuradoria-Geral da República e da Defensoria Pública da União terão prazo de uma hora cada para realizar suas sustentações orais.

Após as manifestações, terá início a votação dos ministros. O voto do relator será apresentado primeiro, seguido pelos votos do ministro Cristiano Zanin, da ministra Cármen Lúcia e do presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino.

A decisão será tomada por maioria dos votos. Em caso de condenação, os ministros também definirão a eventual pena a ser aplicada ao ex-deputado federal.

Fonte: Supremo Tribunal Federal (STF) | Da Redação

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