Emater e UFPa capacitam técnicos e extrativistas para sustentabilidade amazônica

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) alia saberes científico e tradicional junto com a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Caranguejeiros e peconheiros de Soure, no Marajó, estão sendo mobilizados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) para a Rede de Saberes Amazônicos em Extensão Rural, Agroecologia e Sociobiodiversidade (Resaberes).

O programa multiinstitucional pedagógico é conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e com o governo alemão.

Com o apoio da Emater, a participação em capacitações continuadas sobre bioeconomia na Amazônia paraense de cerca de 1.500 famílias beneficiárias da reserva extrativista (resex) marinha do município vem representada por três associações:

Associação dos Caranguejeiros e Caranguejeiras de Soure (ACCS), Associação dos Peconheiros e Peconheiras de Soure e Salvaterra do Rio Paracauary (Aspecon) e Associação dos Usuários da Resex Marinha de Soure (Assuremas).

Um termo de cooperação técnica entre Emater e UFPA deve ser assinado ainda neste semestre, para oficializar a colaboração mútua. A ideia estabelece, ainda, que os profissionais da Emater também usufruam da oportunidade de atualização científica pela UFPA, em módulos pontuais.

Reuniões no início deste mês de maio em Soure entre lideranças, Emater e UFPA já articulam as demandas dos movimentos sociais para treinamento em metodologias inclusivas. As capacitações vão abordar temas como gestão das organizações sociais, formação de agentes captadores de recursos via editais e estruturação da cadeia produtiva, em nível de precificação, estocagem de produto e venda direta, sem atravessadores.

Algumas das estratégias da Rede no município seriam a promoção de oficinas, a instalação de uma incubadora empresarial e a disponibilidade de vagas em pós-graduação direcionada.

Nos encontros de agora, o grupo multidisciplinar apresenta uma Carta Aberta do Programa, na qual se detalha a convergência entre ensino, pesquisa e extensão: “A Rede propõe que a extensão rural e a agroecologia sejam pontes entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais. Dessa forma, a assistência técnica deixa de ser um serviço vertical para se tornar um processo educativo horizontal e emancipador”, expressa o documento.

Para o chefe do escritório local da Emater em Soure, o engenheiro agrônomo Sandro José Pinheiro, especialista em Biodiesel, o propósito é compartilhar conhecimento a partir de necessidades elencadas pelos próprios extrativistas, em uma perspectiva de acesso tecnológico, respeito às tradições e continuidade de políticas públicas.

“Existe todo o contexto de emergência de preservação ambiental, vulnerabilidade socioeconômica da agricultura familiar e fortalecimento das cadeias produtivas como diretriz da Emater no sentido de segurança alimentar e nutricional e geração de trabalho e renda: os extrativistas de Soure são protagonistas desta dinâmica. O momento da Resaberes, assim, é de escuta”, diz Sandro Pinheiro.


Rede

De 11 a 15 de maio, a equipe da Emater de Soure estará em Altamira, na Transamazônica, em um treinamento sobre Associativismo e Cooperativismo, em mais uma etapa da Resaberes.  O objetivo geral é conectar professores, cientistas, técnicos, agricultores e comunidades tradicionais para fortalecer a agroecologia e a bioeconomia nos territórios amazônicos.

O Programa tem à frente, pela UFPA, o Laboratório de Estudos das Dinâmicas Territoriais na Amazônia (Ledtam); o MDA participa, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia (SAF), e o governo alemão, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbHa – Cooperação Técnica Alemã.


Vivência

Morador da comunidade Bom Futuro, no bairro Macaxeira, na periferia de Soure, o casal Alessandra Santos, de 54 anos, e Antônio Martinho Craveiro, conhecido como “Satirinho”, de 49 anos, chega a capturar 100 caranguejos por dia, em um trabalho de equipe de parentes e amigos.

O crustáceo é vendido vivo e o excedente consumido pela família, quase sempre como toc-toc. No caso, a família inclui, ainda, os três filhos de Alessandra e enteados de Satirinho (Ádila Thalena, de 30 anos; Arisson Thiago, de 31 anos, Anderson Patrick, de 33 anos) e três netos: Ananda Valentina, de dois anos; Ayla Llorrany, de quatro anos, e Andrey Gabril, de 13 anos.

“A Rede de Saberes é muito interessante, ficamos muito interessados, até porque tudo o que vier pra somar nos agrada e nos motiva. E, nisto tudo, a Emater é uma grande parceira: o Sandro [chefe da Emater] é tudo pra gente aqui: um amigão, competente, presente, proativo. Só temos a comemorar o que temos de conquista e tudo o que ainda vamos conquistar, com a presença da Emater, em todas as categorias”,  relata Alessandra, primeira-secretária da ACCS e primeira-tesoureira da Assuremas.

Texto: Aline Miranda

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