Entre os exemplos mais significativos está o trabalho desenvolvido por mulheres da Agrovila Nova Jerusalém, localizada a cerca de 18 quilômetros da área urbana de Canaã. Organizadas de forma colaborativa, elas transformam tecidos coloridos em milhares de bandeirolas que ajudam a ornamentar os principais corredores da cidade e o espaço onde acontece a programação junina. Para muitas famílias, a atividade representa uma importante fonte complementar de renda, contribuindo para o orçamento doméstico em um período específico do ano.
A produção das bandeirolas mobiliza artesãs e grupos de mulheres em pequenos ateliês instalados nas residências da vila, gerando renda e valorizando a mão de obra local. Mais do que o retorno financeiro, o sentimento compartilhado entre as produtoras é o orgulho de ver o resultado do próprio trabalho tomando forma nas ruas da cidade. A decoração chega a um total de 24 km de fiação de bandeirolas incluindo as principais vias da cidade e no Parque de Evento, onde ocorre o festival.

Há histórias que revelam a dimensão humana desse processo e em cada uma das narrativas de vida o reconhecimento da população e a certeza de estar contribuindo para uma importante manifestação cultural da cidade fazem com que cada atividade realizada carregue não apenas tecido, cor, suor, força, mas também histórias de dedicação e conquista.
É caso da costureira Rosilene Barbosa, de 61 anos de idade, natural de Colmeia / TO, que há cinco anos, lidera uma equipe formada por seis mulheres, todas moradoras da Agrovila Nova Jerusalém e amigas de longa data. Juntas, elas confeccionam as bandeirolas que ajudam a dar cor e identidade ao Canaã Cidade Junina.
Para Rosilene, o trabalho representa muito mais do que uma renda extra. Ao longo desse período, os recursos obtidos com a atividade contribuíram para a realização de melhorias em sua casa, permitindo rebocar as paredes e colocar piso no imóvel.
Embora, por orientação religiosa, não participe das festividades juninas, ainda sim ela acompanha com orgulho o resultado do trabalho coletivo. “Quando a gente vê tudo pronto, bonito, decorando aquele espaço, dá um sentimento de orgulho”, contou com o sorriso no rosto sobre a satisfação ao perceber que suas peças são admiradas pela população e pelos visitantes.
Além do artesanato, atividades sazonais como marcenaria, pintura, laminação, escultura, decoração, instalações elétricas e soldagem também contribuem para movimentar a economia e criar oportunidades de trabalho.
Há também quem venha de longe, como a soldadora Tássia Marques, de 33 anos, vê em Canaã dos Carajás mais uma oportunidade de ampliar sua trajetória profissional e conquistar objetivos pessoais. Ela vem de Parintins / AM com experiência acumulada em diferentes cidades da região Norte, como Guajará-Mirim / RO e em sua cidade natal onde sempre oferece seus serviços em grandes eventos.

Ela destaca a importância do trabalho para a realização de sonhos. “Essa é a minha primeira oportunidade em Canaã e vim com o sonho de juntar mais dinheiro para comprar minha moto para me locomover em Parintins e levar meus filhos para a escola. Também é uma chance de mostrar meu trabalho e tudo o que aprendi ao longo das cidades por onde passei”, afirma. A profissional ressalta que cada novo projeto representa não apenas crescimento na carreira, mas também a possibilidade de melhorar a qualidade de vida da família.
Segundo a diretora de Cultura da Fundação Municipal de Cultura (Funcel), Andréa Siqueira, o impacto do projeto vai além da ornamentação e da programação cultural, alcançando diretamente a vida das pessoas envolvidas na produção. “Para muitos, esse trabalho representa uma realização pessoal. A geração de renda traz melhorias para a comunidade e valoriza quem coloca sua criatividade e talento a serviço do evento”, destaca.
Quando foi concebido, há cinco anos, o projeto Canaã Cidade Junina nasceu com o propósito de valorizar as tradições culturais brasileiras e criar uma identidade própria para o município durante o período junino. Desde então, o projeto ampliou seu alcance, incorporando ações que estimulam a participação comunitária e fomentam oportunidades econômicas para diversos segmentos da população. Este ano o evento acontece no período de 24 de junho a 12 de julho, no Parque de Eventos Mayko José Goulart da Silva.
A consolidação do evento é indicativo que investir em cultura significa desenvolvimento social e econômico. “A perspectiva para os próximos anos é ampliar ainda mais a participação dos produtores locais, fortalecer as cadeias criativas ligadas ao evento e transformar o Canaã Cidade Junina em uma referência regional não apenas pela grandiosidade da festa, mas também pelo legado de oportunidades que gera para a população”, a afirma a presidente da Funcel, Taís Leite.

Ao completar cinco anos, o projeto reafirma sua vocação de unir tradição, pertencimento e desenvolvimento, mostrando que a cultura pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e geração de renda.
Histórico – Foi com a terceira edição do Canaã Cidade Junina que o festival entrou para a história ao conquistar reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural e Artístico do Estado do Pará. O evento passou a ocupar um lugar permanente na memória cultural paraense ao ser incluído no calendário oficial de eventos do Estado. A conquista foi consolidada com a sanção da Lei nº 10.589 pelo Governo do Estado, reforçando a importância do festival como expressão da identidade cultural amazônica.
Fonte: Da Redação





























