MARABÁ (PA) – A literatura, a cultura e a produção intelectual da Amazônia foram o centro de uma celebração na última sexta-feira, 3 de julho de 2026. A Sessão Solene de Posse dos novos membros da Academia de Letras de Marabá (ALMA) foi realizada no Plenarinho da Câmara Municipal de Vereadores de Marabá.
A cerimônia reuniu acadêmicos, autoridades, familiares, convidados e representantes da sociedade civil para marcar a investidura dos novos Membros Efetivos Perpétuos e Membros Correspondentes, ampliando o quadro de intelectuais que passam a integrar uma das mais importantes instituições literárias do sudeste paraense.

Entre os empossados esteve o dramaturgo, escritor, ator, produtor cultural, professor e pesquisador Manoel Vaz da Silva Junior, artisticamente conhecido como Junior Vaz Canaã. Ele assumiu oficialmente a condição de Membro Correspondente da ALMA, representando o município de Canaã dos Carajás.
A escolha de Junior Vaz ocorreu por meio do Edital nº 002/2026, que tornou pública a relação dos candidatos classificados para as vagas da Academia. Ao lado dele, foram empossados como membros correspondentes André Ribeiro de Goveia (Tocantínia-TO), José Ribeiro de Oliveira (Imperatriz-MA), Vicente de Paula Barbosa Pinto (Mendes-RJ) e Zacarias Gomes Martins (Gurupi-TO). Também tomaram posse oito novos Membros Efetivos Perpétuos, fortalecendo o quadro permanente da instituição.

Uma instituição comprometida com a cultura
Fundada em 3 de julho de 2013, a Academia de Letras de Marabá tem desempenhado papel fundamental na preservação da memória literária, na valorização da produção intelectual e no incentivo à formação de novos escritores e pesquisadores da região amazônica.
Sob a presidência do Professor Manoel Rodrigues, a Academia vem consolidando sua atuação como espaço de diálogo entre literatura, educação, patrimônio cultural e identidade regional, reunindo escritores, poetas, professores, pesquisadores e artistas em torno da missão de preservar e difundir o pensamento amazônico.
Durante a solenidade, o presidente destacou a importância da renovação do quadro acadêmico, ressaltando que cada novo integrante representa o fortalecimento da literatura e da cultura produzidas no Pará e na Amazônia brasileira.

Uma posse marcada pela emoção
Em um dos momentos mais aguardados da noite, Junior Vaz Canaã recebeu o diploma, a carteira acadêmica e foi oficialmente investido como Membro Correspondente da ALMA, passando a integrar a instituição que reúne importantes nomes da intelectualidade regional.
Visivelmente emocionado, o novo acadêmico fez um discurso profundamente humanista, no qual destacou que a homenagem ultrapassa o reconhecimento pessoal e representa um compromisso permanente com a palavra, a memória, a educação e a defesa da cultura amazônica.

Inspirando-se em Machado de Assis, citou a célebre frase: “A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.” A partir dessa reflexão, relembrou sua trajetória construída por meio da persistência, do trabalho e do amor à arte, ressaltando os inúmeros desafios enfrentados ao longo da carreira como artista, educador e produtor cultural.
Segundo o acadêmico, cada espetáculo realizado, cada projeto cultural desenvolvido, cada aula ministrada e cada jovem incentivado pela arte reforçaram sua convicção de que a cultura permanece como um dos mais importantes instrumentos de transformação social.

A defesa da Amazônia como território cultural
Ao longo de seu pronunciamento, Junior Vaz também prestou homenagem ao poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro, lembrando sua compreensão da Amazônia como um universo simbólico onde natureza, memória, imaginário e cultura se entrelaçam.
Para o novo membro correspondente, defender a literatura amazônica significa preservar a identidade dos povos da região e fortalecer o patrimônio cultural construído ao longo das gerações.

O acadêmico destacou ainda sua ligação com a Academia Canaanense de Letras (ACL), da qual também faz parte, afirmando que a aproximação entre as academias fortalece a produção intelectual do sudeste paraense e amplia o diálogo entre os municípios por meio da literatura.
Em um dos trechos mais marcantes do discurso, afirmou que as academias de letras não existem para alimentar vaidades, mas para preservar patrimônios imateriais, incentivar novos escritores, formar leitores e manter viva a memória cultural de seus povos.
Compromisso com a literatura e a sociedade
Ao assumir oficialmente sua nova função, Junior Vaz Canaã reafirmou o compromisso de representar a ALMA com ética, dedicação e responsabilidade, colocando sua experiência como artista, pesquisador e produtor cultural a serviço da literatura e da cultura amazônica.
Encerrando sua fala, voltou a recorrer a Machado de Assis para refletir sobre o legado que permanece através das palavras, adaptando o pensamento do escritor para destacar que a verdadeira herança da humanidade são os livros, as ideias, a arte e os gestos capazes de construir uma sociedade mais humana.

Também agradeceu a Deus, pediu a intercessão de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e concluiu saudando a Academia de Letras de Marabá, a Academia Canaanense de Letras, a cultura amazônica e a literatura brasileira.
Uma noite histórica
A cerimônia de posse foi marcada pelo clima de celebração, reconhecimento e esperança. A entrada dos novos acadêmicos representa mais um passo na missão da Academia de Letras de Marabá de preservar a memória, incentivar a produção intelectual e fortalecer a identidade cultural da Amazônia.
Para Junior Vaz Canaã, a posse simboliza o reconhecimento de uma trajetória dedicada às artes, à educação e à cultura, além de inaugurar um novo capítulo em sua atuação como escritor e defensor da literatura amazônica.
Mais do que receber um título honorífico, o novo membro correspondente assume a responsabilidade de contribuir para que a palavra continue sendo instrumento de transformação, memória e cidadania, honrando a confiança depositada pela Academia e fortalecendo os laços entre Marabá, Canaã dos Carajás e toda a região sudeste do Pará.
A noite de 3 de julho de 2026 ficará registrada como um momento de grande significado para a cultura regional, reafirmando o papel das academias de letras como guardiãs da memória, promotoras do conhecimento e protagonistas na construção do futuro da literatura amazônica.
Fonte: Da Redação





























