
Uma pesquisa do Nupens (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde), da USP (Universidade de São Paulo), comprovou que o consumo de alimentos ultraprocessados vem aumentando os casos de obesidade no Brasil.
O estudo publicado no períodico do International Journal of Public Health no dia 20 de maio, constatou que 28% do aumento da obesidade no País entre 2002 e 2009 tem origem no consumo de ultraprocessados.
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Essa categoria de alimentos foi denominada, pela primeira vez, pela Nupens em 2010 e se refere a produtos alimentícios que passaram por várias etapas de processamento. Eles são compostos por diversos tipos de alimentos, além de compostos químicos, açúcares, gorduras trans e saturadas.

Alimentos ultraprocessados representam 28% do aumento da obesidade no Brasil entre 2002 e 2009. (Foto: Reprodução/Brasil de Fato)
Segundo a pesquisadora do Nupens e autora do estudo, Maria Laura Louzada, esses alimentos têm um baixo perfil nutricional, uma maior quantidade de açúcares, gorduras, menor quantidade de fibras, vitaminas e de minerais. Alguns exemplos de ultraprocessados são salgadinhos, bolachas, refrigerantes e comidas prontas.
A pesquisadora também afirmou: “outros dados de outras pesquisas mostram que tanto a obesidade quanto o consumo de ultraprocessados continuou crescendo e que esses dois fenômenos estão associados”.
Para chegar a essa conclusão, o estudo da Nupens utilizou, não apenas dados de consumo, mas também dados da altura e do peso dos consumidores, o que possibilitou aos pesquisadores chegar a um índice e relacionar os ultraprocessados a obesidade.
Contudo, por mais que haja um senso comum a respeito do prejuízo a saúde causado por esses produtos, existe uma indústria alimentícia muito forte por detrás da venda dessa categoria de alimentos.
É o que afirma a autora da pesquisa. “Existe uma disputa desigual entre a saúde pública e corporações com muito poder, dinheiro e marketing.” Para ela, o caminho para a mudança começa com as políticas públicas. “O foco não é reverter em mudanças individuais, mas pensar em políticas que modifiquem o ambiente, o entorno das pessoas“.





























