Apelidado de “Banco Master do Paraguai”, Ueno Bank enfrenta uma grave crise financeira. Brasileiros relatam dificuldades para acessar recursos, enquanto famílias que financiam cursos de medicina no país vizinho temem prejuízos. Em Canaã dos Carajás, pai de universitário afirma que precisará reorganizar todo o orçamento familiar para garantir a continuidade dos estudos do filho.
ASSUNÇÃO, PARAGUAI — 3 de novembro de 2026. A crise envolvendo o Ueno Bank, uma das instituições financeiras de maior destaque no Paraguai, está provocando apreensão entre correntistas e famílias brasileiras que mantêm compromissos financeiros no país vizinho. Os relatos de dificuldades para movimentar recursos e realizar saques acenderam o alerta entre empresários, investidores, estudantes universitários e pais que financiam a formação acadêmica de seus filhos.
A situação ganhou repercussão especialmente entre brasileiros que escolheram o Paraguai para cursar medicina, atraídos pelas oportunidades de formação universitária e pelos custos que, em determinadas instituições, são inferiores aos praticados nas faculdades particulares brasileiras.
Para essas famílias, a indisponibilidade de recursos bancários pode representar muito mais do que um transtorno financeiro passageiro. Pode comprometer o pagamento de mensalidades, aluguel, alimentação, transporte, materiais acadêmicos e outras despesas indispensáveis à permanência dos estudantes no exterior.
DRAMA EM CANAÃ DOS CARAJÁS: PAI DE ESTUDANTE DE MEDICINA TEM PLANEJAMENTO FINANCEIRO COMPROMETIDO
A repercussão da crise bancária chegou a Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, município onde famílias também investem na formação universitária de seus filhos em instituições de ensino superior paraguaias.
Um morador de Canaã dos Carajás, pai de um estudante brasileiro que cursa medicina no Paraguai, relatou à reportagem sua preocupação com as consequências da crise para o futuro acadêmico do filho.
O entrevistado, que pediu para não ter sua identidade revelada, afirmou que o planejamento financeiro elaborado para custear a formação universitária ficou comprometido diante das dificuldades de movimentação bancária.
Segundo seu relato, será necessário realizar uma reorganização das finanças familiares, buscando alternativas para manter os compromissos assumidos e impedir que o problema bancário prejudique a continuidade do curso.
O pai destacou que sua prioridade absoluta é assegurar que o filho permaneça na faculdade de medicina, mesmo que isso exija sacrifícios financeiros adicionais e mudanças importantes no orçamento da família.
O caso evidencia uma dimensão humana da crise que ultrapassa os indicadores econômicos e os números apresentados pelas autoridades monetárias.
Por trás das contas bancárias existem famílias que economizaram durante anos, reorganizaram suas despesas e assumiram compromissos financeiros de longo prazo para proporcionar aos filhos a oportunidade de conquistar uma formação profissional.
Para muitos desses pais, financiar um curso de medicina no exterior representa um projeto familiar construído com planejamento, trabalho e renúncias.
A possibilidade de não conseguir acessar recursos destinados à educação dos filhos transforma a crise bancária em uma preocupação que envolve não apenas dinheiro, mas também expectativas e projetos de vida.
FAMÍLIAS BRASILEIRAS ENFRENTAM INCERTEZAS PARA MANTER FILHOS NAS UNIVERSIDADES
A presença de estudantes brasileiros nas universidades paraguaias é uma realidade consolidada, especialmente nas cidades próximas à fronteira com o Brasil.
Instituições de ensino superior em Ciudad del Este, Pedro Juan Caballero, Salto del Guairá e outras localidades recebem brasileiros interessados principalmente na graduação em medicina.
Muitos estudantes dependem diretamente dos recursos enviados mensalmente pelos pais para pagar suas despesas acadêmicas e pessoais.
Quando esses recursos ficam temporariamente indisponíveis, as consequências podem ser imediatas.
O pagamento de uma mensalidade universitária, por exemplo, pode depender de transferências bancárias programadas. O mesmo acontece com aluguel, alimentação, transporte e aquisição de materiais utilizados durante o curso.
A situação se torna ainda mais delicada quando os valores necessários para manter o estudante estão concentrados em uma única instituição financeira.
A preocupação das famílias não é apenas recuperar o dinheiro depositado, mas saber se conseguirão cumprir os compromissos financeiros antes do vencimento das obrigações acadêmicas.
Embora ainda não exista um levantamento oficial sobre quantas famílias brasileiras com estudantes de medicina foram diretamente afetadas, o relato do morador de Canaã dos Carajás demonstra a necessidade de acompanhar os efeitos sociais da crise.
UENO BANK: EXPANSÃO ACELERADA E QUESTIONAMENTOS FINANCEIROS
A trajetória do Ueno Bank está relacionada à antiga Financiera El Comercio, instituição financeira com décadas de atuação no Paraguai.
Após mudanças em seu controle societário e em sua estratégia comercial, a instituição passou por um processo de modernização e expansão, apostando em serviços digitais, abertura de contas, cartões, operações de crédito e produtos financeiros.
A transformação em banco e a incorporação do Visión Banco ampliaram sua participação no mercado paraguaio.
O crescimento atraiu novos clientes, inclusive estrangeiros que mantêm atividades comerciais, investimentos e compromissos financeiros no país.
Entretanto, a expansão também passou a despertar questionamentos sobre a estrutura de capital, a qualidade dos ativos e a administração dos riscos financeiros.
A comparação com o Banco Master, no Brasil, surgiu em meio às preocupações relacionadas à segurança dos depósitos e à capacidade das instituições de honrar seus compromissos.
Apesar da semelhança apontada por correntistas, os dois casos precisam ser analisados separadamente, considerando suas respectivas circunstâncias e legislações.
SAQUES E TRANSFERÊNCIAS: A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DOS CORRENTISTAS
Para os clientes que relatam dificuldades de acesso ao dinheiro, a principal preocupação é a impossibilidade de realizar operações financeiras necessárias à manutenção de suas atividades.
Entre os brasileiros atingidos, os problemas podem alcançar pagamentos comerciais, despesas familiares, compromissos universitários e operações realizadas entre Brasil e Paraguai.
O impacto é particularmente sensível para quem depende de movimentações bancárias frequentes.
No caso dos estudantes de medicina, o problema pode alcançar diretamente o pagamento de mensalidades e a manutenção das condições básicas de permanência no país.
A interrupção do acesso aos recursos também obriga famílias a procurar alternativas emergenciais, como transferências por outras instituições, utilização de reservas financeiras e reorganização de despesas.
FUNDO GARANTIDOR DO PARAGUAI: COMO FUNCIONA A PROTEÇÃO AOS DEPOSITANTES
O Paraguai possui um Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), previsto na Lei nº 2.334/2003, destinado à proteção de depósitos elegíveis em instituições financeiras submetidas aos procedimentos legais aplicáveis.
A cobertura é estabelecida com base em até 75 salários mínimos mensais paraguaios por depositante e por instituição financeira, conforme as condições previstas na legislação.
Essa proteção não significa, entretanto, que qualquer cliente possa retirar imediatamente o dinheiro ou que todos os produtos financeiros estejam automaticamente cobertos.
A efetiva restituição depende do enquadramento legal dos depósitos, da situação da instituição e dos procedimentos conduzidos pelas autoridades competentes.
Os depositantes com valores superiores ao limite de cobertura podem enfrentar procedimentos específicos para recuperar a parcela excedente.
Para os brasileiros que possuem contas bancárias no Paraguai, é fundamental acompanhar diretamente os comunicados oficiais e preservar toda a documentação referente aos depósitos.
AUTORIDADES MONETÁRIAS E REPERCUSSÃO NO PARAGUAI
A situação do Ueno Bank desperta atenção sobre os mecanismos de fiscalização, a proteção dos depositantes e a confiança no sistema bancário paraguaio.
O Banco Central do Paraguai é responsável pela supervisão das instituições financeiras, enquanto a legislação estabelece instrumentos para enfrentar situações de dificuldades patrimoniais e proteger os depósitos elegíveis.
As providências efetivamente adotadas em relação ao Ueno, incluindo eventuais restrições operacionais, intervenção, medidas de resolução e calendário de restituição, precisam ser confirmadas por meio de comunicados oficiais atualizados.
A repercussão também envolve preocupações com a estabilidade financeira, os recursos de correntistas e a capacidade das instituições de preservar a confiança da população.
O episódio reforça a importância da fiscalização bancária e da transparência na comunicação com clientes, investidores e demais interessados.
BRASILEIROS PRECISAM DE INFORMAÇÕES E SOLUÇÕES URGENTES
Para os brasileiros que mantêm recursos em instituições paraguaias, a recomendação é acompanhar os canais oficiais do Banco Central, conservar extratos e comprovantes e buscar orientação sobre alternativas legalmente disponíveis para cumprir compromissos urgentes.
Famílias com estudantes universitários devem procurar as instituições de ensino para verificar a possibilidade de prorrogação de vencimentos ou negociação de mensalidades, caso enfrentem dificuldades temporárias de acesso aos recursos.
Também é importante evitar intermediários que prometam desbloquear contas ou recuperar depósitos mediante pagamentos antecipados.
MAIS DO QUE UMA CRISE BANCÁRIA, UM DRAMA QUE ATINGE O FUTURO DE JOVENS BRASILEIROS
A situação envolvendo o Ueno Bank revela como problemas no sistema financeiro podem ultrapassar fronteiras e alcançar diretamente a vida de famílias brasileiras.
Em Canaã dos Carajás, o relato do pai de um estudante de medicina demonstra que as consequências não se limitam a empresários ou grandes investidores.
Elas também atingem trabalhadores e famílias que organizam suas economias para garantir educação e melhores oportunidades aos filhos.
O dinheiro comprometido representa anos de planejamento, economia e sacrifícios. E, quando esses recursos ficam inacessíveis, o receio de interromper um projeto universitário se transforma em uma preocupação real.
Para o pai entrevistado pela reportagem, a prioridade permanece inalterada: reorganizar as finanças, superar as dificuldades e assegurar que o filho continue estudando medicina no Paraguai.
A crise bancária poderá exigir mudanças no planejamento familiar, mas não deverá representar, segundo sua determinação, o abandono do sonho de ver o filho concluir a graduação.
Enquanto as autoridades financeiras buscam respostas para os correntistas, famílias brasileiras aguardam soluções que lhes permitam recuperar a tranquilidade e preservar aquilo que consideram um de seus maiores investimentos: o futuro dos filhos.
Carlos Magno Jornalista — DRT/PA 2627 Associado ao SINJOR, FENAJ e FIJ.



