
Como é a forma mais adequada de conversar com pessoas que não falam ou possuem outras necessidades complexas de comunicação? Uma criança pode não falar por diferentes motivos, desde a falta do modelo de um adulto ou estimulação de outras pessoas durante a rotina de atividades do dia a dia, até algum fator orgânico que pode impedi-lo de receber, entender, perguntar e/ou responder qualquer tipo de ideia, desejo ou informação mais complexa.
Um dos motivos da ausência da linguagem funcional na criança pode ser um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. “As dificuldades na comunicação social e interação social podem ser sinais de autismo. Muitas vezes, pessoas autistas apresentam compreensão reduzida da linguagem funcional, ecolalia (repetição de palavras e frases de outras pessoas, desenhos, filmes e propagandas), dificuldade de usar diferentes entonações, para expressar tristeza ou alegria por exemplo, e uso de linguagem exclusivamente literal”, explica a líder de Fonoaudiologia da Genial Care, Lílian Kuhn.
Outro transtorno da fala comum entre os diagnosticados com autismo é a apraxia da fala. A apraxia e o autismo são distintos, mas em muitos casos aparecem juntos em um mesmo indivíduo, pois um dos sintomas em comum está ligado diretamente à comunicação. Na apraxia de fala na infância, a criança entende a função da comunicação, mas os déficits neurológicos afetam o planejamento motor e a formulação de frases e palavras.
Segundo informações da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFA), a Comunicação Suplementar e Alternativa é uma área de conhecimento que pode garantir o direito à comunicação para todas as pessoas. E embora seja um campo agregador a vários profissionais, que atuam de forma inter, multi ou transdisciplinar, a orientação e coordenação da equipe em relação ao conteúdo das competências linguísticas e comunicativas cabe ao fonoaudiólogo – que pode atuar no contexto da linguagem nos diferentes ambientes, como escolar, familiar, hospitalar, social, entre outros.
A implementação de um sistema de comunicaçãosuplementar e alternativa para um indivíduo com TEA deve ser realizada em todos os ambientes e por todas as pessoas que convivem com aquele indivíduo, sejam profissionais da saúde, equipe escolar e familiares, sob a coordenação de um fonoaudiólogo. Esta última, porém, tem papel fundamental durante todo o processo. “A comunicação suplementar e alternativa pode estimular a criança a alcançar seu máximo potencial e sua autonomia em relação à própria comunicação”, conclui Lílian.





























