“Guia de Qualidade do Cacau paraense” incentiva fortalecimento da cadeia do fruto no Estado

Tomas Bardales from the Amazon Ashaninka tribe looks at his daughter Delicia harvesting organic cocoa fruit at their family plantation close to the indigenous village of Quempiri, in the VRAEM region, on June 30, 2017. This Amazonia region 300 kilometres southeast of the Peruvian capital, Lima, is referred as VRAEM, a military acronym for the Apurímac, Ene and Mantaro river valleys, where gradually settlers and farmers are replacing illegal crops with others that can legally sell. They want to change the face to this feared area, where only soldiers have gone for decades to fight remnants of the Maoist guerrilla Shining Path and control drug trafficking. The so-called VRAEM region is located 300 kilometers southeast of Lima, -VRAEM is a military acronym for the Apurímac, Ene and Mantaro river valleys- where settlers and farmers are gradually replacing illegal crops with others that can legally sell. / AFP PHOTO / CRIS BOURONCLE (Photo credit should read CRIS BOURONCLE/AFP via Getty Images)

“Desde 2009, o Centro desenvolve pesquisas com o cacau amazônico, abrangendo todas as etapas da cadeia produtiva: desde a colheita dos frutos até o processamento, o desenvolvimento de novos produtos e o aproveitamento de resíduos. O foco central dessas pesquisas, diretriz também do novo Guia, é preservar os compostos bioativos do cacau e potencializar seus benefícios para a saúde do consumidor, além de promover a valorização da produção local e ampliar as oportunidades de mercado”, explica o professor Jesus Silva, coordenador do CVACBA.

GUIA

O material orienta sobre o momento ideal de colheita, transporte das amêndoas frescas, métodos adequados de fermentação e secagem, além de técnicas corretas de armazenamento. Também traz critérios oficiais de classificação, explicando como identificar defeitos, avaliar características sensoriais e compreender como esses fatores influenciam no preço pago ao produtor. Além das etapas de pós-colheita, o guia também enfatiza a importância do manejo adequado no campo, do controle de pragas e doenças, da rastreabilidade e da utilização de tecnologias que permitam padronizar e manter a qualidade das amêndoas.

Doutora em Biotecnologia e Pesquisadora do CVACBA, Giulia Lima, explica que o Guia reúne, de forma integrada, uma parte teórica sobre os fatores que influenciam a qualidade das amêndoas de cacau e resultados práticos obtidos a partir de amostras comerciais do Estado, com parâmetros físicos e físico-químicos.

“Essas informações permitem ao comprador identificar características de interesse: amêndoas bem fermentadas, por exemplo, são ideais para a produção de chocolates finos, enquanto aquelas com alto teor de gordura podem ser direcionadas à indústria de manteiga de cacau. Ao evidenciar a diversidade de perfis existentes dentro do próprio Pará, o guia amplia as oportunidades de mercado e fortalece a competitividade internacional do cacau paraense”, ressalta a pesquisadora.

PRODUÇÃO

Atualmente, o Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e apresenta a maior produtividade do mundo, superando, inclusive, países historicamente líderes na produção mundial. Além disso, o cacau cultivado no Pará reúne uma ampla diversidade genética, que resulta em amêndoas diferenciadas, com perfis sensoriais únicos, com aromas e sabores que se destacam no cenário internacional.

Por ser uma planta nativa da Amazônia, a pesquisadora pontua que o cacau encontra no Pará condições naturais ideais de clima e solo para o seu cultivo. O Pará é o único lugar no mundo que produz cacau de várzea, e a diversidade de espécies que convivem com o cacaueiro influencia diretamente no perfil das amêndoas.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Com papel central na valorização do cacau amazônico, a inovação tecnológica permite tanto o aproveitamento integral da matéria-prima quanto a diferenciação de produtos no mercado. O professor Jesus Silva ressalta que o conhecimento científico garante  maior competitividade ao cacau paraense; estimula o desenvolvimento de novos produtos funcionais, valorizando a biodiversidade amazônica; amplia renda e abre oportunidades, sobretudo, para agricultores familiares e cooperativas.

“No CVACBA, a pesquisa aplicada busca desenvolver e adaptar metodologias modernas para avaliar e preservar os compostos bioativos presentes nas amêndoas e subprodutos do cacau, ampliando suas aplicações em alimentos, bebidas e chocolates funcionais e premium. Esse processo assegura maior qualidade, rastreabilidade e singularidade ao cacau paraense. A inovação tecnológica se torna um vetor de desenvolvimento econômico regional sustentável”, finaliza Jesus Silva.

Fonte: Secom

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