Jocilene Fontenelle fala sobre saúde mental da mulher veja!

Agentes de mudança social, as mulheres são referências dentro de seus núcleos familiares e representam parte fundamental da força de trabalho na educação e na atenção básica à saúde.

No tocante a diversas áreas da saúde, elas também são foco de grandes campanhas de prevenção, voltadas principalmente para o câncer de mama, o câncer de colo de útero, as infecções pelo HPV, mas porque não inserir nesse rol os cuidados com a saúde mental?

A psicóloga Jocilene Fontenelle concedeu uma entrevista ao Portal Carajás o Jornal falando um pouco sobre a saúde mental da mulher e seus desafios emocionais na atualidade em alusão ao Dia Internacional da Mulher, que se comemora no mês de março de cada ano.

 Na entrevista irá destacar as estatísticas dos distúrbios mentais mais comuns entre mulheres como depressão, ansiedade e sintomas físicos causados por problemas emocionais. Confira a entrevista.

As mulheres são referências dentro de seus núcleos familiares  diz a psicóloga Jocilene Fontenelle.

O que falar da mulher no passado e como ela desenvolveu para o presente em questões mentais?

Para gente falar da saúde mental especificamente das mulheres a gente tem que voltar ao passado, e falar sobre a história da mulher na sociedade como um todo, então a gente tem aquela primeira observação da mulher do feminino que aquela mãe esposa que fica em casa cuidando dos filhos, enquanto o homem é o provedor que vai trazer um alimento, o dinheiro renda de casa. Essa mulher ela tem uma função e um papel dentro da sociedade ela tem que ser mãe, ela tem que ser esposa, e tem que educar os filhos, e essa responsabilidade dar educação dos filhos como a partir da nossa sociedade. A partir das guerras as mulheres passam a ficar sozinhas em casa com os filhos, muitas vezes em momentos de guerra ficaram viúvas e começam a entrar no mercado de trabalho, a partir disso é quando a gente entra na luta das feministas, que começam a lutar por direitos iguais. Aquela mulher que está trabalhando lá dentro das indústrias trazendo renda para dentro de casa, mas não tinha uns valores salariais não tinha um reconhecimento profissional necessário e ali começava a dupla jornada, que hoje eu já consigo dizer que não é mais dupla é tripla jornada.

Temos esse momento da revolução industrial, onde a mulher tem que continuar sendo a boa mãe e se ela ainda for casada a boa esposa, porque às vezes o marido veio da Guerra e ele veio com uma deficiência ou então ele perde uma revolução industrial muitas pessoas perderam o emprego e essa mulher teve que se ver buscando outras formas de renda, então agora ela é a central provedora da casa, mas a sociedade continua cobrando para que seja uma boa mãe, uma boa esposa e uma boa filha é que ela sempre continue bonita, sempre bem arrumada.

Também há uma pressão social muito grande em cima da mulher, porque se ela quer ser uma mulher de sucesso ela tem que ter um cuidado muito grande com a aparência então é uma briga constante com a com a balança e comparações com a vida aparentemente perfeita das redes sociais de outras pessoas.

 

A  psicóloga conta como as mulheres sofrem com problemas e desenvolvem transtornos.

J: Qual o impacto das redes sociais na vida dessa mulher?

Ela mesmo vê nas redes sociais um padrão e se compara, acredita que tem que ser linda e perfeita, e para ela atingir o tal do sucesso que ela espera que em todas as áreas ela tem que seguir aquele padrão ela então torna um grande sofrimento mental e psíquica em busca da beleza perfeita que às vezes até leva ao óbito. Situações que levam a transtorno mental e sua infinidade de coisas, como a depressão ansiedade ou estresse pós-traumático como aconteceu na pandemia.

J: Atualmente no mercado de trabalho há uma valorização até certo ponto, porém em alguns casos as mulheres se sentem frustradas com a desvalorização devido ao salário. Como isso afeta a mente dela?

Sim hoje podemos dizer que o assédio moral dentro das empresas não se vincula somente a fala de humilhação com outro, mas também com a falta de equipar idade na renda, no salário. Então você tem um homem e uma mulher no mesmo cargo, mas com valores salariais diferentes, isso faz que a mulher se sinta não reconhecida, desvalorizada e na maioria das vezes essa mulher sofre em silêncio, porque quando ela vai buscar dentro da empresa uma ajuda, essa ajuda a quem ela vai buscar geralmente é de um homem, porque na hierarquia das empresas a maioria dos maiores cargos estão nas mãos dos homens. Isso tem mudado ao longo dos anos, vamos encontrar mulheres executivas, empresárias e empreendedoras tomando conta do mercado, mas ainda há muito o que mudar.

Jocilene Fontenelle conta sobre a jornada da mulher. 

J: Com a tripla jornada da mulher, se desenvolve alguns transtornos. Como se dar isso?

A tripla jornada é a aquela que eu tenho que cuidar da vida profissional, da família, da casa, dos filhos, às vezes da questão conjugal, e ainda tem os estudos, porque cada vez mais vemos mulheres voltando para a sala de aula, é uma busca para equiparar o salário dela com o do homem, e conseguir provar para a sociedade que eu sou boa quando na verdade não deveria ser assim.

J: Com a pandemia veio o home office. Quais os transtornos que ela acaba desenvolvendo?

Com pandemia ela vai trabalhar dentro de casa em home office, então a pessoa que cuidava do filho ou da filha já não já pode mais, pois também fica em isolamento em outro lugar. A mulher começa a ter que fazer as atividades profissionais e as atividades domésticas ao mesmo tempo, ela começa novamente uma nova jornada de sofrimento, adquirindo transtornos psiquiátricos inclusive o toque que é um transtorno compulsivo, e em algum período todos nós passamos por isso, quem ficou toda hora passando álcool na mão?

J: Como podemos identificar que uma mulher tem estresse pós-traumático?

A pessoa com depressão, ansiedade e estresse pós-traumático é uma pessoa que tem uma irritabilidade muito grande, ela se irrita com coisas pequenas, se você troca algo de lugar, a pessoa já chega e fica gritando como se fosse algo muito danoso para a vida dela. O choro frequente por qualquer coisa, ou pequenas coisas a pessoa chora magoada, ofendida, a uma hipersensibilidade na região da audição às vezes elas ficam muito sensíveis a rejeição, qualquer hábito do outro como se fosse rejeitado e aí a partir de disso vem o choro, as vezes agressão verbal e as vezes até agressão física, quando não há esse controle mental.

J: Qual o nosso papel em relação a esses sintomas e como fazemos para ajudar?

Primeiro identificar quais são as reações que ela está tendo, e mostrar para ela que reação dela foi exagerada. Situações como uma discussão de trabalho, uma discussão conjugal que não deveria ter levado ela a agressões verbais um para o outro, mostramos para ela olha tem algo de errado, e que precisa de ajuda e mudar a concepção e preconceito para procurar uma psicóloga.  

Esse foi um pedacinho da nossa entrevista com a psicóloga Jocilene Fontenelle sobre saúde mental da mulher e seus desafios. O restante da matéria você acompanha no fim da semana aqui no nosso site.

Notícias Relacionadas

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade