Mercado Livre estreia no setor farmacêutico no Brasil e gera queda nas ações de grandes redes

CANADA - 2025/06/06: In this photo illustration, the Mercado Livre logo is seen displayed on a smartphone screen. (Photo Illustration by Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

A sexta-feira (29) foi marcada por forte volatilidade no setor farmacêutico após a confirmação de que o Mercado Livre (BDR: MELI34) entrou oficialmente no mercado de farmácias no Brasil. A empresa adquiriu uma unidade da healthtech Memed, em São Paulo, movimento que sinaliza sua estratégia de explorar o varejo farmacêutico no país.

A notícia impactou diretamente o desempenho das ações das principais redes listadas na B3. A RD Saúde (RADL3) liderou as perdas, com queda de 6,90%. A Pague Menos (PGMN3) recuou 3,72%, enquanto a Panvel (PNVL3) fechou em baixa de 0,97%.

Repercussão entre analistas

O movimento foi avaliado com cautela por bancos e casas de investimento, que destacaram tanto os desafios regulatórios quanto as oportunidades para o marketplace.

Bradesco BBI

Para o Bradesco BBI, a entrada do Mercado Livre representa um fator negativo, mas não disruptivo para a RD Saúde. A análise aponta que:

  • os marketplaces já competem em quase um terço das vendas do setor, principalmente em categorias de autocuidado e medicamentos sem prescrição;

  • medicamentos de prescrição exigem farmácias licenciadas e logística especializada, restringindo a atuação digital plena;

  • a RD mantém vantagens competitivas sólidas, com capilaridade de 3,3 mil lojas, cobertura de 60% da população em um raio de 5 km, entregas rápidas (96% em até uma hora) e alto índice de satisfação (NPS acima de 79).

Ainda assim, o banco calcula que uma queda de 1 ponto percentual na margem Ebitda poderia reduzir em até 20% o lucro líquido da RD em 2026. Apesar disso, manteve recomendação de compra para RADL3, com preço-alvo de R$ 23,00 para o fim de 2026.

XP Investimentos

A XP vê a aquisição como um projeto piloto que pode evoluir para a compra de farmácias estrategicamente distribuídas no país. Para a corretora, o ambiente de juros altos, a concorrência em alta e as margens pressionadas podem facilitar negociações com redes independentes.

A análise lembra o caso da Amazon nos Estados Unidos, que já oferece entrega no mesmo dia em várias cidades e fideliza clientes por meio de programas de assinatura. No Brasil, a XP avalia que o Mercado Livre pode replicar parte dessa estratégia, aproveitando sua malha logística e força no e-commerce.

Itaú BBA

O Itaú BBA também classificou o anúncio como negativo para as drogarias, mas ressaltou que a conveniência ainda é um diferencial das redes estabelecidas. Segundo o banco, consumidores tendem a buscar acesso imediato aos medicamentos, o que favorece empresas com presença física consolidada.

Na RD, por exemplo, 70% das vendas acontecem via click-and-collect, modelo que combina compra online e retirada rápida em loja. Essa estrutura, segundo o Itaú, limita a vantagem inicial da MELI na última milha.

Oportunidades e riscos

Especialistas concordam que a entrada do Mercado Livre abre caminho para explorar um mercado estimado em mais de R$ 200 bilhões, incluindo a categoria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos (HPC). No entanto, o avanço dependerá da capacidade de superar barreiras regulatórias e de construir uma rede capilar de farmácias licenciadas.

Enquanto isso, as grandes redes seguem bem posicionadas, apostando em sua estrutura física, programas de fidelidade e rapidez nas entregas para enfrentar a nova concorrência.

O movimento do Mercado Livre no setor farmacêutico ainda está em fase inicial, mas já foi suficiente para mexer com os preços de mercado e acender o alerta entre investidores e concorrentes.

Fonte: Da Redação

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