‘Canetas emagrecedoras manipuladas’: o que a Anvisa proibiu, o que está permitido e qual a crítica dos médicos

SYDNEY, AUSTRALIA - OCTOBER 10: Ozempic is medicine for adults with type 2 diabetes that along with diet and exercise may improve blood sugar. While some doctors are prescribing it "off label" for weight loss, on October 10, 2024, in Sydney, Australia (Photo by Steve Christo - Corbis/Corbis via Getty Images)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no Diário Oficial da União de 22 de agosto de 2025, o despacho nº 97, que estabelece novas regras para a importação e manipulação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) usados nas chamadas canetas emagrecedoras.

A medida busca reforçar a segurança dos pacientes após a agência identificar riscos no uso de versões manipuladas desses medicamentos, cada vez mais populares no país.

O que muda com a decisão da Anvisa

A agência passou a diferenciar os IFAs de acordo com a origem:

  • Biológicos (biotecnológicos), como a semaglutida presente em medicamentos como Ozempic®, Wegovy® e Rybelsus®: só podem ser importados para manipulação se o insumo vier do mesmo fabricante registrado no Brasil. Na prática, isso inviabiliza a manipulação, já que o processo produtivo é exclusivo da Novo Nordisk.

  • Sintéticos (de síntese química): podem ser manipulados apenas se já houver no país um medicamento registrado com a mesma molécula. Nesses casos, importadores e farmácias precisam cumprir normas rígidas e realizar testes de qualidade antes da liberação.

Na prática:

  • Semaglutida biológica – manipulação proibida.

  • Semaglutida sintética – só poderia ser manipulada se tivesse registro no Brasil, o que ainda não existe.

  • Tirzepatida sintética – segue liberada para manipulação, mas sob regras mais severas.

Por que a semaglutida não pode ser manipulada

Segundo a Anvisa, medicamentos biológicos não permitem troca de fabricante, já que o processo produtivo faz parte do próprio produto. Isso torna impossível a manipulação segura da semaglutida fora da cadeia original da Novo Nordisk.

O que motivou a decisão

Inspeções realizadas pela agência em 2023 revelaram problemas graves em farmácias de manipulação e importadoras de IFAs:

  • prescrições com doses acima das recomendadas;

  • uso de substâncias sem aprovação;

  • falta de controle de qualidade.

Além disso, o Sindusfarma relatou casos em que farmácias divulgavam em redes sociais fórmulas manipuladas de medicamentos patenteados, com dosagens não aprovadas e insumos não certificados, em “flagrante desrespeito às normas sanitárias”, segundo a entidade.

Os riscos apontados

Especialistas alertam que o uso de versões manipuladas pode expor pacientes a:

  • ausência de estudos clínicos que comprovem eficácia e segurança;

  • risco de doses incorretas, contaminação ou falsificação;

  • instabilidade das moléculas, sensíveis a variações de temperatura e pH;

  • eventos adversos graves, como pancreatite, infecções e complicações digestivas.

Reação de médicos e entidades

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apoiou a proibição da semaglutida manipulada, mas criticou a manutenção da permissão para a tirzepatida, defendendo que os riscos são semelhantes.

Em nota conjunta, SBEM, Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) recomendaram que médicos não prescrevam versões manipuladas e que pacientes evitem tratamentos comprados em sites, redes sociais ou consultórios.

Posição das farmácias de manipulação

A Associação Nacional Magistral de Estéreis (ANME) afirmou que a decisão não proibiu a tirzepatida, mas aumentou o rigor da fiscalização. Para a entidade, a medida fortalece o setor, destacando apenas os profissionais que seguem normas de segurança.

O que diz a indústria

A Novo Nordisk, fabricante da semaglutida, avaliou que a decisão da Anvisa, na prática, proíbe todas as versões biológicas da substância fora de sua cadeia produtiva. Segundo a empresa, somente os medicamentos registrados garantem pureza, esterilidade e estabilidade necessárias para a segurança dos pacientes.


Resumo: A Anvisa proibiu a manipulação da semaglutida biológica e manteve restrições rígidas para IFAs sintéticos. A medida divide opiniões entre médicos, indústria e farmácias de manipulação, mas marca um endurecimento da regulação sobre medicamentos usados para emagrecimento.

Farmácias se tornam obrigadas a reter receita médica na venda de canetas emagrecedoras — Foto: Reprodução/TV Globo

Farmácias se tornam obrigadas a reter receita médica na venda de canetas emagrecedoras — Foto: Reprodução/TV Globo

Fonte: G1

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