A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de realizar um pente-fino nos chamados penduricalhos pagos a magistrados coloca o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) no meio de um debate nacional sobre transparência e supersalários no Judiciário. O movimento ocorre após o CNJ identificar casos de juízes que receberam remuneração mensal superior a R$ 1 milhão em diferentes tribunais do país, impulsionando uma revisão das verbas indenizatórias e adicionais que permitem pagamentos acima do teto constitucional.
A iniciativa foi determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, ministro Edson Fachin, que criou um grupo de trabalho com prazo de 180 dias para mapear e propor mudanças no sistema remuneratório da magistratura. Segundo o conselho, foram identificados mais de 500 tipos diferentes de verbas pagas pelos tribunais brasileiros, muitas delas registradas sob nomenclaturas distintas.
Embora o CNJ não tenha apontado publicamente magistrados do Pará entre os casos de remuneração acima de R$ 1 milhão, o TJPA integra o conjunto de tribunais cujas folhas de pagamento são monitoradas pelo sistema nacional de transparência do órgão. Os dados enviados mensalmente pelas cortes estaduais permitem ao conselho acompanhar salários, indenizações, retroativos e demais benefícios recebidos pelos magistrados.
Nos últimos anos, o Pará também entrou na discussão nacional sobre penduricalhos. Em abril deste ano, ganhou repercussão nacional uma manifestação da desembargadora Eva do Amaral Coelho durante sessão do tribunal. A magistrada criticou medidas de restrição a benefícios e verbas adicionais da carreira, episódio que reacendeu o debate sobre remuneração e privilégios no Judiciário.
O caso ocorreu em meio a uma ofensiva do STF para limitar pagamentos que escapam ao teto constitucional, atualmente fixado pelo subsídio dos ministros da Suprema Corte. Em março, o tribunal definiu critérios mais rígidos para a concessão de verbas indenizatórias. Em seguida, CNJ e Conselho Nacional do Ministério Público aprovaram uma regulamentação nacional para disciplinar esses pagamentos.
Especialistas apontam que os maiores valores registrados nas folhas de pagamento costumam estar ligados a indenizações retroativas, venda de férias acumuladas, adicionais por tempo de serviço reconhecidos judicialmente e outras parcelas classificadas como indenizatórias. Por essa razão, os chamados supersalários nem sempre representam remuneração mensal permanente, mas podem gerar contracheques excepcionais em determinados períodos.
O grupo criado por Fachin pretende justamente diferenciar verbas remuneratórias de indenizatórias e estabelecer critérios uniformes para todos os tribunais. A meta é reduzir distorções e ampliar a transparência dos gastos públicos com a magistratura.
No Pará, assim como nos demais estados, a expectativa é que as conclusões do CNJ possam resultar em mudanças nas regras de pagamento e na forma de divulgação das informações salariais. O debate envolve não apenas juízes, mas também membros do Ministério Público, Defensorias Públicas e demais carreiras jurídicas que possuem estruturas remuneratórias semelhantes.
Ao anunciar o grupo de trabalho, Fachin afirmou que a intenção é construir uma solução permanente para o sistema remuneratório da magistratura brasileira. O diagnóstico deverá servir de base para propostas legislativas e para um novo modelo de controle dos pagamentos realizados pelos tribunais.
Enquanto o levantamento avança, o TJPA permanece inserido no esforço nacional de investigação sobre as contas do Judiciário. A discussão sobre penduricalhos, que há anos mobiliza órgãos de controle e entidades da sociedade civil, ganha novo impulso com a revelação de que alguns magistrados brasileiros chegaram a receber mais de R$ 1 milhão em um único mês.
Fonte: Reprodução / TJPAPor Paulo Silber
Fonte: Portal Cidade091





























