Você aprendeu errado na escola? Estudo revela como livros ainda escondem o racismo, e o regionalismo no Brasil

Você pode não ter percebido, mas o preconceito pode ter feito parte da sua educação, e ainda faz parte da de milhões de brasileiros.

Um estudo da Fundação Carlos Chagas já alertava que livros didáticos utilizados nas escolas reproduzem preconceitos de forma sutil, quase invisível.
Décadas depois, dados atualizados até 2025 mostram que essas distorções não se limitam apenas à questão racial, elas também envolvem desigualdades regionais e culturais profundamente enraizadas no sistema educacional.

Hoje, enquanto mais da metade da população concluiu a educação básica, as diferenças raciais seguem evidentes. Pessoas brancas ainda têm maior acesso e permanência na escola do que pessoas pretas e pardas. No entanto, um outro problema menos discutido também chama atenção: a forma desigual como o próprio Brasil é apresentado aos estudantes.

Em muitos materiais didáticos, há uma forte concentração de conteúdos voltados para determinadas regiões do país, especialmente o Sul e o Sudeste, frequentemente retratados como centros de desenvolvimento, cultura e progresso. Enquanto isso, outras regiões — como Norte e Nordeste — aparecem de forma reduzida, estereotipada ou, em alguns casos, sequer são abordadas com a mesma profundidade.

Essa ausência vai além da geografia.

Ela impacta diretamente o conhecimento dos alunos sobre a diversidade cultural brasileira. Em muitos casos, estudantes não têm contato com a riqueza de outras regiões, como:

  • a biodiversidade amazônica
  • as manifestações culturais do Norte e Nordeste
  • os saberes tradicionais de povos indígenas e comunidades ribeirinhas
  • a variedade de fauna, flora e modos de vida existentes no país

O resultado é uma formação incompleta, que limita o olhar do aluno sobre o próprio território nacional.

Assim como acontece com a questão racial, esse tipo de abordagem contribui para a construção de um preconceito velado, não apenas contra pessoas, mas também contra regiões inteiras. Determinadas culturas passam a ser vistas como menos relevantes, menos desenvolvidas ou menos dignas de destaque.

Esse processo reforça desigualdades históricas e alimenta estigmas que se perpetuam ao longo da vida adulta.

Desde a infância, crianças negras são menos representadas nos livros e, quando aparecem, costumam ocupar papéis secundários ou estereotipados. Da mesma forma, regiões inteiras do país são invisibilizadas ou reduzidas a recortes superficiais, o que influencia diretamente a forma como os alunos enxergam o Brasil e suas diferenças.

Mas o problema não para na escola.

Dados recentes mostram que a desigualdade continua ao longo da vida: jovens negros concluem menos o ensino médio, têm menor acesso ao ensino superior e enfrentam mais barreiras no mercado de trabalho. Paralelamente, regiões historicamente marginalizadas continuam apresentando indicadores sociais mais baixos, refletindo também essa construção desigual ao longo do tempo.

Especialistas alertam que o maior desafio não é apenas combater o racismo explícito, mas enfrentar o preconceito silencioso em todas as suas formas, racial, cultural e regional.

Isso exige mudanças profundas no sistema educacional, incluindo:

  • revisão dos conteúdos didáticos
  • valorização de todas as regiões do país
  • inclusão de diferentes culturas e realidades brasileiras
  • formação crítica de professores

Mais do que ensinar conteúdos, a escola tem o papel de formar cidadãos capazes de compreender a diversidade do país em que vivem. Afirma a professora licenciada plena em Artes, Márcia de Alcântara Fernandes.

A pergunta que fica é direta:
como construir uma sociedade mais justa se nem mesmo a diversidade do Brasil é ensinada de forma completa nas escolas?

Redação: Jordania Peixoto

Créditos: Reportagem baseada em estudo da Fundação Carlos Chagas e dados atualizados de instituições como IBGE e Todos Pela Educação, além de análises sobre desigualdades raciais, culturais e regionais no ensino brasileiro até 2025 da professora Márcia de Alcântara Fernandes.

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