Júnior do Macre defende fortalecimento da agricultura familiar como estratégia para ampliar o desenvolvimento do Pará

Foto: Divulgação

Em artigo de opinião publicado nesta semana, o pré-candidato e idealizador do programa Plantar o Futuro, Júnior do Macre, defendeu que o avanço econômico do Pará depende da valorização da agricultura familiar em conjunto com os grandes setores produtivos do estado. Sob o título “Não é dividir o agro. É completar o Pará”, o texto propõe um modelo de desenvolvimento baseado na integração entre o agronegócio empresarial e os pequenos produtores rurais.

Segundo Júnior do Macre, o crescimento da economia paraense nas últimas décadas foi impulsionado por segmentos como o agronegócio, a mineração, a indústria e a logística, responsáveis por colocar o estado entre as principais economias do país. No entanto, ele afirma que o próximo passo é garantir que os agricultores familiares também tenham condições de ampliar sua participação na geração de renda e riqueza.

“O desafio não é diminuir quem já produz em grande escala, mas criar oportunidades para que milhares de pequenos produtores possam crescer com competitividade”, defende.

Agricultura familiar ainda enfrenta desafios estruturais

No artigo, Macre destaca que o Pará registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 254,55 bilhões em 2023, consolidando-se como a maior economia da Região Norte. O estado também ocupa posição de destaque na produção nacional de culturas como açaí, cacau e dendê.

Apesar dos indicadores positivos, ele avalia que grande parte da agricultura familiar ainda enfrenta obstáculos históricos que limitam seu desenvolvimento.

Entre os principais desafios apontados estão:

  1. falta de assistência técnica permanente;
  2. dificuldade de acesso ao crédito rural orientado;
  3. deficiência na infraestrutura de transporte e armazenamento;
  4. baixa agregação de valor aos produtos;
  5. dificuldades de comercialização;
  6. pouca inserção tecnológica nas propriedades.

Para o autor, essas limitações impedem que milhares de famílias rurais aproveitem plenamente o potencial produtivo existente em diferentes regiões do estado.

Proposta vai além do crédito rural

Júnior do Macre argumenta que políticas públicas focadas apenas na oferta de financiamentos ou na entrega de equipamentos agrícolas têm alcance limitado e não garantem resultados sustentáveis no longo prazo.

Como alternativa, ele propõe um modelo integrado de desenvolvimento rural baseado em diversos pilares, entre eles:

  1. assistência técnica contínua;
  2. qualificação profissional para produtores;
  3. mecanização adequada à agricultura familiar;
  4. ampliação do acesso à internet no campo;
  5. fortalecimento de cooperativas;
  6. incentivo à agroindustrialização;
  7. garantia de mercado para a produção.

Segundo ele, essas ações precisam atuar de forma coordenada para aumentar a produtividade, elevar a renda das famílias e fortalecer a economia dos municípios.

Permanência dos jovens no campo

Outro tema abordado no artigo é a sucessão rural. Júnior do Macre afirma que muitos jovens deixam as comunidades rurais por falta de perspectivas econômicas e oportunidades de qualificação.

Na avaliação dele, a permanência dessa nova geração depende da ampliação da educação técnica, do acesso às tecnologias digitais e da modernização da gestão das propriedades.

“O campo precisa deixar de ser visto apenas como lugar de produção e passar a oferecer oportunidades de empreendedorismo, inovação e geração de renda”, argumenta.

Plantar o Futuro propõe desenvolvimento regionalizado

Como exemplo prático da proposta defendida no artigo, Macre apresenta os princípios do programa Plantar o Futuro, iniciativa que pretende estruturar cadeias produtivas considerando as características econômicas de cada região do Pará.

O modelo prevê etapas como:

  1. diagnóstico territorial;
  2. organização dos produtores;
  3. capacitação técnica;
  4. acesso ao crédito assistido;
  5. fortalecimento das cooperativas;
  6. implantação de agroindústrias;
  7. contratos para comercialização da produção.

A proposta também prevê políticas específicas para diferentes regiões do estado, respeitando suas vocações produtivas.

Entre os exemplos citados estão o fortalecimento das cadeias do açaí e da mandioca no Baixo Tocantins, o incentivo ao cacau e aos sistemas agroflorestais no Xingu, o desenvolvimento da bubalinocultura e do turismo no Marajó e a diversificação econômica com qualificação de fornecedores na região de Carajás.

Integração entre os modelos de produção

Na conclusão do artigo, Júnior do Macre afirma que o desenvolvimento do Pará não deve ser construído a partir da oposição entre grandes e pequenos produtores, mas sim da complementaridade entre os diferentes modelos de produção.

Para ele, o agronegócio empresarial continuará desempenhando papel estratégico na inserção do estado nos mercados nacionais e internacionais, enquanto a agricultura familiar possui potencial para ampliar a circulação de renda nos municípios e fortalecer o desenvolvimento regional.

“O Pará não precisa escolher entre o grande e o pequeno. O grande leva o Pará para o mundo. O pequeno faz a renda circular dentro do Pará”, afirma.

O artigo é encerrado com a defesa de que a agricultura familiar representa um dos principais ativos para o futuro do estado. “O pequeno produtor paraense não é atraso. É potência sem estrutura”, conclui.

Fonte: Da Redação | Por Jordania Peixoto

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