Projeto de artista de Marabá transforma memórias de comunidade do Maranhão em mural coletivo 

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Reconhecido por assinar dezenas de murais em Marabá, Bino Sousa conclui a primeira etapa do Linhas de Identidade em São Pedro da Água Branca (MA). Em breve, o projeto também chegará ao Pará 

Quem circula por Marabá provavelmente já se deparou com alguma obra assinada por Bino Sousa. Reconhecido como uma das principais referências do muralismo na Amazônia e com mais de 20 anos de atuação na cidade, o artista acaba de concluir a primeira etapa do projeto Linhas de Identidade em São Pedro da Água Branca (MA). O mural coletivo, entregue no último domingo (12), foi criado em parceria com artistas locais a partir de histórias, memórias e referências culturais compartilhadas pelos próprios moradores durante a Roda de Saberes. Em breve, o projeto também chegará ao Pará. A iniciativa tem Patrocínio Máster da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

A entrega marca o encerramento da primeira etapa do projeto, que reuniu oficinas gratuitas de aquarela e grafite, atividades de formação artística e encontros voltados à valorização da cultura local. Ao longo da programação, mais de 50 pessoas participaram das atividades, entre oficinas e a Roda de Saberes, reunindo estudantes, artistas, professores e moradores em torno da criação coletiva.

Idealizado por Bino Sousa, natural de Santa Inês (MA) e consolidado artisticamente em Marabá, o Linhas de Identidade percorre cidades do Maranhão e do Pará promovendo encontros entre artistas e comunidades para transformar espaços públicos em murais inspirados na identidade de cada território.

A cidade retratada no mural

A obra foi construída a partir da Roda de Saberes, encontro em que moradores compartilharam histórias, memórias e elementos que consideram representativos da identidade de São Pedro da Água Branca.

Entre os principais símbolos está a palha do babaçu. O Maranhão concentra cerca de 93% da produção nacional da palmeira, presente na economia, na cultura e nos modos de vida de comunidades rurais. Das folhas são produzidos chapéus, cofos, quibanos, coberturas de casas e outros objetos tradicionais que aparecem na composição, ao lado de referências à vida na roça.

“Esse mural fala muito sobre São Pedro da Água Branca, com referências reais. O principal elemento é a palha do babaçu. Também retratamos a vida na roça, apontada pelos próprios moradores durante a Roda de Saberes. Os artistas que participaram da oficina de garfite estiveram comigo durante toda a pintura, e isso tornou o processo ainda mais especial”, afirma Bino Sousa.

Formação de artistas locais

Muralista Bino Sousa, um dos principais nomes da arte urbana em Marabá

A criação do mural reuniu Bino Sousa e os artistas locais Vladimir Gomes, Natasha Souza Silva e Ariane Souza dos Santos, selecionados por meio de edital público. O artista Éder Mais, reconhecido pela atuação em São Pedro da Água Branca, também participou da execução da obra como artista convidado.

Além da pintura do mural, os artistas participaram de uma formação prática em muralismo, acompanhando todas as etapas da criação da obra, da concepção à execução.

Para Natasha Souza Silva, a experiência também representa um legado para as novas gerações de artistas do município. “Esse mural representa a nossa cidade. Acho que ele é importante tanto para os moradores quanto para os jovens artistas que vão surgir daqui. Ele representa o nosso passado e também o nosso futuro.”

Vladimir Gomes destaca a oportunidade de representar o município por meio da arte. “É muito gratificante poder representar minha cidade como artista e ver que ela valoriza o nosso trabalho.”

Ariane Souza dos Santos afirma que a experiência foi marcada pelo aprendizado. “Estou muito feliz por ter participado do projeto. Aprendi muito durante todo o processo e poder entregar esse mural para a cidade é muito emocionante.”

Para Éder Mais, iniciativas como o Linhas de Identidade fortalecem a produção artística local. “Projetos como esse valorizam os artistas da cidade e fortalecem toda a comunidade. Que venham outras iniciativas como esta.”

Edital atrai artistas de diferentes estados

Além das atividades realizadas em São Pedro da Água Branca, o edital para seleção dos artistas que integrariam a equipe de criação do mural recebeu quase 30 inscrições de candidatos do Maranhão, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Embora o regulamento previsse a seleção de artistas residentes no município onde o mural seria criado, o interesse de participantes de diferentes estados demonstra o alcance da iniciativa e o reconhecimento do muralismo produzido na Amazônia.

Após a etapa em São Pedro da Água Branca, o projeto segue para Miranda do Norte (MA). Na sequência, o Linhas de Identidade chegará ao Pará, com ações previstas em Marabá e Parauapebas.

O projeto Linhas de Identidade conta com a Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e realização da Pasquinia Cultural, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Fonte: Da Redação

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