Morre Renato Machado, ícone e referência do telejornalismo brasileiro, aos 83 anos

O jornalismo brasileiro perdeu um de seus nomes mais brilhantes e elegantes. O jornalista, apresentador e editor Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira, 16 de julho de 2026, aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul da capital fluminense. A causa do falecimento não foi divulgada pela família.

Uma carreira marcada pela sofisticação e precisão

Nascido no Rio de Janeiro em 21 de março de 1943, Renato Machado iniciou sua trajetória na imprensa em 1969, trabalhando como repórter no lendário Jornal do Brasil. Antes de se consolidar de vez por trás das notícias, ele também teve passagens pelo teatro e cinema na juventude, chegando a atuar em produções pioneiras da TV Globo.

Contudo, foi no jornalismo que ele construiu um legado definitivo. Renato ingressou na TV Globo em 1982 e rapidamente se tornou uma das vozes mais respeitadas das coberturas internacionais da emissora. Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória como repórter e correspondente estão:

A Guerra das Malvinas (1982): Uma cobertura de alta tensão em que Renato demonstrou enorme precisão técnica e frieza jornalística.

O Desastre de Chernobyl (1986): O jornalista foi um dos responsáveis por trazer a dimensão do acidente nuclear soviético aos lares brasileiros.

Acontecimentos na Europa: Ao longo de sua carreira, baseou-se duas vezes em Londres como correspondente internacional, cobrindo episódios históricos como a crise econômica na Grécia e o atentado contra o semanário francês Charlie Hebdo.

A “Era de Ouro” no Bom Dia Brasil

Para milhões de brasileiros, Renato Machado era a companhia indispensável das primeiras horas do dia. Entre 1996 e 2010, ele acumulou as funções de apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil.

Sob sua liderança, o telejornal matinal foi completamente reformulado, tornando-se mais dinâmico, opinativo e aberto aos comentários ao vivo direto das principais capitais do país. Foi nessa época que ele idealizou e comandou o quadro “Imagens da Semana”, uma refinada curadoria de acontecimentos globais embalada por peças de música clássica, uma de suas grandes paixões pessoais ao lado da gastronomia e dos vinhos.

“Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca”, costumava dizer o profissional, que se aposentou da TV em 2021, aos 78 anos.

“Um lorde”: Colegas de profissão lamentam a perda

A partida de Renato Machado gerou uma onda de consternação e homenagens de amigos que dividiram as redações com ele ao longo de mais de quatro décadas.

Renata Vasconcellos: A âncora do Jornal Nacional, que dividiu a bancada do matinal com o jornalista por anos, emocionou-se ao recordar o parceiro de bancada: “Ele era um farol na minha vida. Me ensinou muito. Era muito generoso, uma pessoa que encantava pela capacidade de raciocínio e de argumentação com muita elegância”.

Leilane Neubarth: Amiga de longa data, Leilane ressaltou o perfil aristocrático de Renato. “Eu brincava que ele era sangue azul e eu um polvo. O Renato era um lord, um príncipe. Aprendi muito com ele”.

Renata Capucci: A apresentadora destacou o aprendizado diário e usou as redes para homenageá-lo: “Vou lembrar de você assim, sorrindo, feliz, acompanhado dos seus vinhos especiais, dando aula sobre todos os assuntos”.

Renato deixa duas filhas, Maria Eduarda Machado e Renata, fruto de seus relacionamentos anteriores, e a esposa, Mônica Morel, com quem era casado desde 2011. Detalhes sobre o velório e o sepultamento do jornalista ainda não foram divulgados de forma oficial pela família.

Fonte: Da Redação | Por Jordania Peixoto

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